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Vidigal é o sexto bairro mais caro do Brasil para se morar, diz pesquisa

Com o metro quadrado custando R$ 16.616,66, a comunidade é exemplo do que chamam de “Gentrificação” e morador fala sobre alto custo de vida
Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades
Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades

Há quem diga que o Vidigal é favela de playboy. Mas, existe isso? O que acontece no Morro do Vidigal é reflexo de um movimento chamado “gentrificação”, que é, basicamente, modificar aquele bairro para que ele se torne mais “nobre”. Isso, consequentemente, afeta os moradores locais que passam a ter um custo de vida mais alto. Muitas vezes isso faz com que alguns tenham que se mudar de onde cresceram para um bairro mais barato. 

CNN Brasil noticiou, em dezembro do ano passado, que o Vidigal está entre os 10 bairros mais caros para morar no país. Com o metro quadrado custando R$ 16.616,66, o Vidigal ocupa o sexto lugar nessa lista, perdendo apenas para Cidade Jardim (SP), Jardim Paulistano (SP), Ipanema (RJ), Vila Nova Conceição (SP) e Leblon (RJ). Os dados são da pesquisa DATAZAP+, empresa de inteligência imobiliária do grupo Zap. 

Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades

Gentri… O quê?

Vamos do início! Gentrificação. Esse conceito surgiu da palavra em inglês “gentry” e foi “criado” por uma socióloga da Alemanha chamada Ruth Glass, em 1964. “Gentry” significa “nobreza”, ou seja, a palavra “gentrificar” quer dizer, em tradução livre, “tornar nobre”. Historicamente, o termo faz referência à pequena nobreza inglesa de áreas rurais daquela época.

Sabendo disso, a alemã usou o conceito para falar sobre a onda de mudança das classes média e alta de Londres para bairros onde originalmente moravam as classes trabalhadoras. Ou seja, o Vidigal não foi o primeiro e nem será a última favela ou bairro a passar por este processo. 

Aqui no Rio de Janeiro o processo começou na primeira década dos anos 2000. Palco de megaeventos, como Jogos Pan-Americanos em 2007, Jornada Mundial da Juventude em 2013, Copa do Mundo em 2014 e Jogos Olímpicos e Paraolímpicos em 2016, a cidade foi passando por uma grande transformação. Muitos já devem ter ouvido o poder público chamar de “revitalização” ou “reurbanização” do bairro, como acontece com o “Porto Maravilha”, no Centro do Rio. Mas, esse assunto fica para outra reportagem. 

Afinal, Vidigal é ou não é favela de “playboy”?

Messias Freitas mora no Morro do Vidigal há 25 anos Foto:
Filipe Lourenço

O morador Messias Freitas, de 42 anos, diz que essa é a frase que ele mais ouve. O produtor cultural mora no Vidigal há 25 anos e reflete: “Antes, o morador ainda tinha poder de compra, o salário mínimo era mais valorizado, o Vidigal não era tão visado e a especulação imobiliária não existia aqui”. 

Sobre a frase, ele considera que existe o lado positivo e o negativo. No positivo, existe o fato de o Vidigal ser bem visto pela mídia e ter sido set de gravações de comerciais, videoclipes e séries de TV, conta Messias. “Aí, acaba sendo uma das comunidades mais visitadas pelos turistas e possui uma das vistas mais bonitas do Rio. Isso ajuda e faz com que a manutenção de infraestrutura (luz, saneamento, água, limpeza) demore menos comparado com outras favelas”, pontua.

Já do ponto negativo, é que tudo se torna mais caro. “Quando falamos de preço, não se faz distinção de quem é morador e de quem é turista. O poder de compra baixíssimo é evidente e tem a ver com a má gestão do nosso país. Aluguel com preço muito acima da média, entre outras coisas”, diz Messias. 

Com relação às consequências da gentrificação, Messias afirma que foram abertas oportunidades para o comércio formal e informal da comunidade, assim como transporte local e geração de empregos para moradores. Entretanto, tudo ficou mais caro. “E, como citei acima, nem todos possuem o mesmo poder de compra”, analisa. 

Ele faz questão de ressaltar que o Vidigal é uma comunidade formada por moradores que têm um senso crítico muito elevado! “Nós sabemos nos posicionar quando se trata de exigir direitos e, isso se faz presente desde a década de 70, quando tentaram expulsar os moradores com o intuito de fazer um ‘novo Alto Leblon’”, finalizou. 

Dá um confere na lista

1º Leblon (RJ) – R$ 21.612,19

2º Vila Nova Conceição (SP) – R$ 20.569,77

3º Ipanema (RJ) – R$ 18.910,03

4º Jardim Paulistano (SP) – R$ 17.290,33

5º Cidade Jardim (SP) – R$ 16.955,21

6º Vidigal (RJ) – R$ 16.616,66

7º Vila Olímpia (SP) – R$ 16.517,19

8º Lagoa (RJ) – R$ 16.463,65

9º Ibirapuera (SP) – R$ 16.451,16

10º Jardim Botânico (RJ) – R$ 15.893,87

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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