A mais “Bela Vista” do Vidigal: mirante oferece hospedagem e aluguel de espaço com ampla visão para praias do Rio de Janeiro

Criado por Cris, dona da Tenda da Cris, espaço conta dormitórios e uma visão privilegiada da zona sul da cidade.
(Foto: Selma Souza)
(Foto: Selma Souza)

“Janela para o mundo” é o nome de uma canção do cantor Milton Nascimento. Lançada em 1997, a música fala sobre o mundo ser o nosso quintal de casa, trazendo uma reflexão bem mais expandida do que apenas os olhos conseguem enxergar da janela de casa. Curiosamente, a primeira rima da música combinam as palavras “quintal” com “igual”. Mas se o cantor conhecesse o espaço Bela Vista, provavelmente adicionaria a palavra Vidigal à canção.

O Bela Vista está localizado no alto da comunidade do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro. O espaço foi idealizado por Ruanita Cristina, a Cris (a mesma da Tenda da Cris), que resolveu expandir o espaço do seu ateliê para receber visitantes. Com expressiva uma força de vontade, muito otimismo e iniciativas de envolver pessoas em ajudar a comunidade, Cris criou o espaço o Bela Vista, um pequeno mirante com uma das vistas mais belas do Rio de Janeiro.

No dia da visita ao Bela Vista, encontramos Cris na Prainha do Vidigal, fechando a tenda com peças de crochê. Acompanhada de uma amiga, banhada em creme descolorante, ela guarda as peças de roupa. Ambas conversam sobre o resultado da aula daquela quarta-feira, dia que Cris ensina pessoas a arte do crochê. “Se viesse mais alguém, não teríamos agulha. Deu bem certinho”, ela comenta. O movimento na praia é bem tranquilo e os frequentadores estão sentados na areia e nas pedras, à sombra das castanheiras que tem por ali.

Depois que subimos a escada que liga à praia à rua, caminhamos pela ciclovia até a praça de entrada do Vidigal. De lá, Cris já aponta a casa. “Tá vendo aquelas duas caixas d’água? Não tem uma luz ligada do lado. É lá!”. A perspectiva que se tem do asfalto para o alto do morro é muito diferente do ponto de visão inverso. Lá de baixo, vemos apenas um lado da comunidade, sem termos muita ideia do que nos rodeia. O movimento da praça com carros, ônibus, vans, pilotos de mototáxis chamando a atenção de quem chega é algo que se combina. Ao pé do morro Dois Irmãos, a algazarra de barulhos se combina, parecendo não ter fim. Os mototaxistas nos levam até o endereço mencionado por Cris. Diferente das localidades que o Voz visitou com Mano Benke e o Batucavidi, Cris nos leva até a metade do caminho. Comunicativa, ela pela rua Dr. Sobral Pinto até o número 53, onde fica o Bela Vista do Vidigal.

Dona do Bela Vista, Cris já recebeu turistas de vários países no espaço. (Foto: Selma Souza)

O espaço ainda passa por obras, mas isso não significa que não possa receber turistas. Quando chegamos, encontramos o filho da Cris, passando tinta no teto do primeiro andar, preparando o espaço para a próxima alta temporada. Ele faz uma pausa rápida no trabalho e nos cumprimenta meio tímido. Na sequência, Cris nos guia para o segundo andar da estrutura. Aqui, a empreendedora instalou três camas e uma rede sob a escada. É nessa parte que também fica o ateliê, onde Cris desenha e constrói as peças para abastecer a tenda da praia. As janelas estão voltadas para a imensidão do mar que banha o Rio de Janeiro e a proprietária já diz que “o nascer do sol daqui é lindo. As pessoas fazem questão de acordar às 4h da manhã para ver”. A cereja do bolo é o terraço do Bela Vista, no terceiro andar. Aberto, o local proporciona uma vista em 270º da comunidade do Vidigal, incluindo a Chácara do Céu, Morro Dois Irmãos, Cristo Redentor e a orla de Ipanema.

O Bela Vista conta com deck, churrasqueira, pia e banheiro. Espaço pode ser alugado a partir de 20 reais por pessoa (Foto: Selma Souza)

Do lado direito, um pedacinho da entrada da comunidade Rocinha e o pequeno arquipélago das Ilhas Cagarras, santuário de fauna e flora. O terraço Bela Vista conta com churrasqueira, banheiro, pia e até um deck para fotos. É naquele espaço que Cris realiza a produção de conteúdo para alimentar as redes sociais da tenda, além de utilizar o local para lecionar aulas, eventos, encontros e realizar ações colaborativas com outras iniciativas culturais e empresariais locais. Ainda assim, o local pode ser usado por frequentadores conforme agendamento com Cris. Por pessoa, os valores giram em torno de 20 reais para visitantes locais e 40 reais para turistas de fora. Há um acréscimo de 10 reais no caso do uso da churrasqueira. Os dormitórios, do segundo andar, R$50 reais em baixa temporada e R$120 no alto do verão. “Alta temporada tá sempre cheio. Eu alugo para barracas de camping aqui também, então imagina como fica isso no verão”.

O Bela Vista está sempre aberto para receber visitantes, mediante agendamento pelo perfil do Instagram da Cris (@atendadacris). Fotos do espaço e outras informações podem ser conferidas no Instagram @belavistavidigal.

Texto/Produção: Rafael Costa
Fotos: Selma Souza

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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