Amazônia ESTÁ pegando fogo em 2020

Circula nas redes sociais, um vídeo que mostra cenas de floresta, populações indígenas e animais, entre os quais um mico-leão-dourado. A peça está sendo compartilhada como se o primata fosse

Amazônia ESTÁ pegando fogo em 2020

Circula nas redes sociais, um vídeo que mostra cenas de floresta, populações indígenas e animais, entre os quais um mico-leão-dourado. A peça está sendo compartilhada como se o primata fosse uma espécie amazônica. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, publicou essas imagens em seu perfil no Twitter, negando a existência de queimadas na Amazônia. A peça também foi publicada pelo vice-presidente, Hamilton Mourão. A informação é falsa.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram detectados 12.412 focos de incêndio na região amazônica entre os dias 1º e 9 de setembro deste ano, contra 6.199 focos no mesmo intervalo do ano passado. Em agosto, foram verificados 29.307 focos, pouco menos que os 30.900 verificados em 2019 – que, por sua vez, foi o mês de agosto com mais queimadas no bioma desde 2010. Desde o início do ano, o satélite de referência do Inpe identificou 82.641 queimadas na Amazônia, frente a 75.527 em igual período de 2019.

O vídeo foi repercutido pelo ministro Ricardo Salles e pelo vice-presidente, Hamilton Mourão

O vídeo mostra imagens não identificadas, sem data de gravação ou localização, com a legenda “IMAGENS INTERNET” no canto esquerdo superior. A peça, de pouco mais de um minuto e meio, é narrada em inglês por uma criança, que afirma: “A Amazônia não está queimando novamente”. Em um dos momentos mais curiosos, a edição mostra imagens de um mico-leão-dourado, espécie endêmica da Mata Atlântica, como se fosse um animal da fauna amazônica. O primata é encontrado exclusivamente no bioma que abrange o litoral brasileiro, especialmente no estado do Rio de Janeiro, a cerca de 2 mil quilômetros da Amazônia.

A gravação é assinada pela Associação de Criadores de Gado do Pará (Acripará). O presidente da associação, Maurício Fraga Filho, explicou que o vídeo foi produzido por duas associadas com a intenção de contestar as informações de um audiovisual produzido pela Defund Bolsonaro, movimento internacional que se propõe a alertar sobre o desmatamento na Amazônia. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil compartilhou um vídeo no dia 2 de setembro que reverberou entre famosos, incluindo o ator Leonardo DiCaprio. De acordo com Fraga Filho, as associadas entenderam que a versão da Defund Bolsonaro prejudicava a imagem do produtor rural.