OMS NÃO disse que pacientes assintomáticos não podem transmitir Covid-19

Circula nas redes sociais a suposta informação de que pacientes assintomáticos não transmitem o novo coronavírus, causador da Covid-19. Essa notícia começou a ser disseminada após a chefe do programa

OMS NÃO disse que pacientes assintomáticos não podem transmitir Covid-19

Circula nas redes sociais a suposta informação de que pacientes assintomáticos não transmitem o novo coronavírus, causador da Covid-19. Essa notícia começou a ser disseminada após a chefe do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Maria van Kerkhove, afirmar que a transmissão da doença por pacientes sem sintomas de Covid-19 parece ser “rara”. A informação é falsa.

A notícia se baseia em uma interpretação equivocada de uma afirmação da epidemiologista Kerkhove, chefe do programa de emergências da OMS. Na segunda-feira (8), em coletiva de imprensa, ela declarou que transmissões de Covid-19 por pacientes assintomáticos parecem ser “raras”. Contudo, ela não disse que esses pacientes não têm potencial de infectar outras pessoas. A organização, posteriormente, esclareceu que essas transmissões são menos comuns, mas não são impossíveis.

Após a entrevista, Kerkhove também esclareceu, por meio de sua conta pessoal no Twitter, que se referia apenas a pacientes “verdadeiramente” assintomáticos. Essa definição não inclui pessoas pré-sintomáticas, ou seja, infectadas pelo vírus e que ainda não desenvolveram a doença, e pessoas com sintomas leves, que podem não perceber que estão doentes, mas desenvolvem sintomas como tosse ou coriza. A diretora também reafirmou a importância do uso de máscaras em áreas públicas e, em nenhum momento, questionou a eficácia do isolamento social.

A afirmação da diretora foi criticada pela comunidade científica. Um dos principais pesquisadores da área, o norte-americano Ashish K. Jha, ressaltou que existem estudos que mostram que entre 40% e 60% das transmissões da doença ocorrem por pacientes sem sintomas – embora a proporção de casos verdadeiramente assintomáticos, em oposição a pré-sintomáticos e com sintomas leves, seja desconhecida. No seu entendimento, a representante da OMS falhou em não deixar claro inicialmente que estava falando apenas dos casos verdadeiramente sem sintomas.

Pacientes assintomáticos são aqueles que não apresentaram e nem vão apresentar sintomas da doença – como tosse, febre e dificuldades respiratórias. Como a principal forma de transmissão são gotículas de saliva expelidas por pessoas contaminadas, o risco de contágio de uma pessoa completamente assintomática é consideravelmente mais baixo do que de uma pessoa que já desenvolveu os sintomas. Porém, pessoas com sintomas leves podem não perceber que contraíram a doença e acabar transmitindo para outras pessoas.