Caminhos: Lagoinha, um dos lugares mais carentes do Alemão

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A série “Caminhos” visitou a comunidade da Lagoinha, uma das 13 comunidades do Alemão

Situada na parte alta do Alemão, a comunidade da Lagoinha, que fica próxima a região de mata, tornou-se uma das comunidades mais carentes do conjunto de favelas, pelo abandono e a falta de investimento. Com cerca de mil habitantes, parte das casas são cercadas por gigantescas pedras e mata, com grande risco de deslizamento em época de chuva. Por conta da falta de investimentos sociais, grande parte das casas e barracos são de madeiras e algumas de barro. Um dos problemas mais constante vividos pelos moradores da comunidade é a falta de energia e d’água.

Casas de “Pau a Pique” na comunidade da Lagoinha / Foto: Betinho Casas Novas

A encanação é precária, feita pelos próprios moradores através de borrachas que se misturam com a região da mata. Muitos moradores sofrem com bichos soltos pela região, além dos mosquitos, ratos e insetos. Investimentos sociais não chegam até a região. Os caminhos são de barros e muita das vezes são os próprios moradores que constroem pontes e caminhos com madeiras, para facilitar o acesso. Pela comunidade existem diversos postes de iluminação pública com fiações, mas nenhum deles funciona. Em dias de fortes chuvas, grande parte dos moradores que vivem na Lagoinha descem para as partes baixas, dormindo nas casas de parentes, amigos ou conhecidos. Muitos deles ficam nas principais ruas baixas, passando a noite lá até parar de chover. No ano de 2013, casas e barracos desabaram devido a forte chuva do início do ano. Os que conseguem, anunciam a venda dos imoveis, com placas improvisadas penduradas nas portas dos barracos.

Algumas casas da comunidade os moradores conseguiram transformar de madeira para tijolos Foto: Betinho Casas Novas

Entre baldes de água e galões, os moradores da Lagoinha estocam água toda vez que cai, vindo das encanações de borrachas que cortam a região. Quando acaba em uma residência, os moradores que tem em estoque dividem com aquele vizinho que ficou sem. Segundo dados da Clinica da Família que abrangia a comunidade da Lagoinha, cerca de mil famílias eram atendidas na unidades. Muita das vezes com problemas respiratórios, alergias e outras doenças causadas pelos insetos, mosquitos e ratos que existem no local. O Voz das Comunidades faz todo ano ações sociais na comunidade. No dois últimos anos, foram feitos ações de distribuições de alimentos e uma ceia de natal para os moradores da comunidade.

A zona de marta que abraça a comunidade é a Serra da Misericórdia, local emblemático na época da ocupação de 2010, servindo de local para a fuga dos traficantes do Complexo da Penha para o Alemão.  Na série “Caminhos” veja o trajeto feito da estação do teleférico do Alemão até a comunidade da Lagoinha.

 

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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