Lama, lixo e lodo: Os três L’s do Chuveirinho do Alemão

Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)
Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)

Moradores se sentem abandonados e pedem atenção aos problemas da comunidade

Subindo pela Central, logo depois da famosa Rua 2, cenário de inúmeros tiroteios, é possível chegar na comunidade conhecida como Chuveirinho. O acesso ao local não é nada fácil. A lama é feita pela água que escorre de um valão e se encontra com a terra deixada, segundo moradores, pelas obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – há um pouco mais de dois anos

Lama: Para Charlaine de Oliveira, de 33 anos, a chuva é sempre um problema. “Como moro bem aqui no final da escada, a chuva desce forte e invade minha casa. Já perdi muita coisa. Essa escada vira uma cachoeira de lama e lixo.” – A casa da profissional autônoma fica na Travessa Regina e Charlaine também contou que, dependendo da força da correnteza, algumas vezes fica impossibilitada de sair para trabalhar.

Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)
Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)

Lixo: Já para a dona de casa Roberta de Souza, o lixo que é jogado no local é um dos maiores problemas. Após entrar em contato com a Associação de Moradores, foi informada de que o local é de responsabilidade do Governo e nada poderia ser feito pela associação. “Depois que falaram isso, nós mesmos colocamos uma grade para evitar que o pessoal de outras áreas jogasse lixo aqui, mas durante uma operação da PM a grade foi retirada e voltaram a jogar coisas”. A jovem de 28 anos também reclama da falta de iluminação pública na Travessa Otassiliano Lima.

Lodo: Outro grande problema que atormenta os moradores do Chuveirinho é um esgoto a céu aberto que percorre uma grande parte da comunidade. A vala passa por baixo da casa onde Laura Geronimo mora com seus filhos, entre eles um bebê de um ano e sete meses que sofre de problemas respiratórios. “Meu filho sofre muito com o cheiro forte que vem daqui. Ele é apenas um bebê e já toma vários remédios.” Por conta das obras do PAC a casa foi danificada e, em fevereiro deste ano, a defesa civil interditou a residência. Apesar dos riscos, a família da dona de casa preferiu continuar no local. “Interditaram a minha casa mas não deram nenhum tipo de assistência. Quando fui questionar, reclamar e correr atrás de uma solução, ficaram de nos encaminhar para um abrigo, mas não vou sair daqui com meus filhos pequenos para viver em um abrigo de jeito nenhum!” – reclama.

Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)
Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)

A área onde a água contaminada passa segue abandonada, acumulando limo, e os moradores contam que duas pessoas já escorregaram e caíram quando passavam pela região. “A minha vizinha já caiu. Outro rapaz que mora lá em cima também. O chão aqui é muito escorregadio e não adianta ficar lavando, porque no dia seguinte volta todo o limo de novo. Tem muitos ratos, baratas e tudo o mais que a gente pode imaginar”- conta Thayssa Fonseca.

Os moradores pedem que uma obra de revitalização seja iniciada com urgência para que pelo menos eles possam ir e vir sem correr riscos. Até a finalização desta matéria, a equipe do Voz da Comunidade não teve sucesso durante as tentavas de contato com a Associação dos Moradores da Grota. Enquanto isso, resta torcer para que não chova no Chuveirinho.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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