Loira das Kombis: Moradora do Alemão conta o que tem feito durante a quarentena

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Foto: Renato Moura / Voz das Comunidades

Quem antes passava pela Grota, um dos principais acessos ao Complexo do Alemão, deparava-se com a figura marcante de Vanderléia Santos, mais conhecida como a “Loira das Kombis”, uma vez que ela era responsável pelo controle do fluxo desse tipo de transporte alternativo na comunidade. Vanderléia, que marcava a rotina dos moradores com seu jeito irreverente e único de desempenhar o seu trabalho, no momento não é mais encontrada no local onde carimbava presença diariamente – após a medida de quarentena ter sido adotada para o combate ao novo Coronavírus -, pois agora está EM CASA!

Sua rotina, que antes era bastante agitada por causa do embarque e desembarque de passageiros a todo momento, teve de ser adaptada. O fluxo intenso de transportes que cruzava a entrada do Alemão diminuiu bastante após as autoridades darem o sinal vermelho. A “Loira” deu uma pausa nas Kombis e, agora, tem dedicado tempo integral a dirigir a casa em que vive com sua família.

“Eu parei de trabalhar em março, o serviço das Kombis foi suspenso no primeiro momento, depois teve o trabalho adaptado a situação que a cidade se encontra. O movimento foi diminuindo muito e agora são poucas que tão rodando por conta da quarentena, e eu fico em casa”, disse Vanderléia.

A pandemia e a diminuição dos transportes afetaram não só o ganha pão dela, mas também de todos que vivem na comunidade e precisam trabalhar. Se deparando com mais uma das adversidades somada a tantas outras que o favelado já possui, como, por exemplo, a violência e a falta de assistência do poder público, reinventar-se mais uma vez é o que resta ao morador para continuar no corre do seu sustento, além de adaptar-se a essa nova rotina.

“Inventei de fazer quentinha e vender. Às vezes sai dez, vinte, só não posso ficar parada. De resto eu passo pano em casa todo dia, limpo tudo, arrumo a casa, dou uma geral, descanso bastante, vejo muito filme, brinco com as crianças pra distrair elas. Aqui no local onde eu moro somos 4 famílias, então a gente também tá lavando o lugar onde a gente passa sempre, pra manter tudo higienizado”, comenta Vanderléia, compartilhando qual tem sido sua estratégia para ir tocando a vida nesse momento que daqui a pouco chega ao fim.

A loira está descansando e cuidando da casa durante os dias de confinamento. Foto: Arquivo pessoal

A quarentena ainda não tem previsão para terminar, e recentemente foi estendida pela prefeitura do Rio até meados de maio, tempo previsto para que os hospitais de campanha que atenderão pacientes com a COVID-19 estejam totalmente equipados e preparados para funcionar. A medida foi tomada visando a desafogar o sistema de saúde, visto que começou a entrar em colapso com os hospitais e as unidades de saúde, porque estavam ficando sem leitos para receber pacientes. 

Quem puder fazer como a “Loira” e seguir a recomendação de ficar EM CASA, assim faça. Deste modo, você evita a exposição ao contágio do vírus, se protege e também protege sua família. Quanto mais gente colaborar, mais rápido tudo isso irá terminar. Lavem as mão!

DICIONÁRIO:

Deparava-se Deparava vem do verbo deparar. O mesmo que: topava, proporcionava, oferecia, apresentava, encontrava. Fazer surgir repentinamente

Fluxo Movimentação daquilo que segue seu curso: fluxo de pessoas.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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