Sem dinheiro para comprar água, favela sofre com a má qualidade do serviço

Além da dificuldade financeira, a água virou um artigo raro nos mercados da região
Foto: Renato Moura/Jornal Voz da Comunidade
Foto: Renato Moura/Jornal Voz da Comunidade

A crise causada pela má qualidade das águas no Rio de Janeiro vem afetando e mudando a rotina de muitos cariocas. Em vários pontos da capital e da Baixada Fluminense, os moradores tem recebido em suas casas uma água com coloração amarelada, forte odor e sabor de terra. Com isso, precisaram mudar seus hábitos de consumo, e não estão usando mais a água de suas torneiras nem para lavar louças ou roupas, já que o medo de problemas de saúde por conta do contato com a água vem assustando à todos.

Através de suas redes sociais, o Voz das Comunidades vem recebendo relatos de moradores do Complexo do Alemão que passaram mal com náuseas, dores de cabeça e até febre após o consumo da água e também da dificuldade que muitos estão encontrando para comprar a mineral. “Aqui em casa meu marido está desempregado, vive de bico, sou eu, ele e mais três crianças, é tudo contado. Não temos condições para comprar água mineral todo dia e a água está mais cara”, contou uma moradora.

Além da dificuldade financeira, a água virou um artigo raro nos mercados da região. Devido o aumento na procura, as garrafas e galões estão mais caros e em grandes redes de supermercado há o aviso nas prateleiras que somente 6 garrafas de 1,5 litro podem ser levadas por clientes.

O QUE DIZ A CEDAE:

Segunda a CEDAE o que causou alteração na qualidade da água distribuída, foi a proliferação de um enzima chamada geosmina, que é produzida por algas. A companhia afirmou ainda que essa enzima não causa malefícios a saúde da população. Com o caos causado pela qualidade da água que vem sendo distribuída, o assunto chamou atenção do Ministério Público e da Polícia Civil, que estão acompanhando de perto a estação de tratamento do Guandu, local de onde parte a água fornecida pela CEDAE.

TRATAMENTO COM CARVÃO ATIVADO:

Para solucionar o problema, a CEDAE informou que irá usar um tratamento feito com carvão ativado nas águas. Segundo a companhia, os equipamentos que faltavam já estão na na estação de tratamento de água do Guandu, em Nova Iguaçu. A companhia já iniciou a montagem do sistema, mas ainda não informou quando exatamente irá começar a funcionar.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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