Slam Laje, do Complexo do Alemão, celebra seu primeiro ano no próximo domingo, 27 de maio

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Na Chicago dos anos 80, junto ao crescimento do hip-hop, nascia a batalha que ressignificou a poesia e tem trazido cultura de resistência, de rua e gratuita às cidades brasileiras. Falamos do Slam, o sarau/batalha de poesia que aterrissou em São Paulo em 2008 e chegou ao Rio de Janeiro em 2013.

Como favela é lugar de poetas e poemas, não tinha como esse evento não chegar às periferias. Em 2017 foi quando aconteceu o “boom” do Slam no Rio de Janeiro, como explicou MC Martina, poeta e fundadora do Slam Laje, que completará um ano de batalhas no próximo domingo, 27 de maio.

“Eu e meu irmão, AL-Neg, a gente já tava começando a circular a cidade, a gente já trampava com poesia, já tava na cena, e aí a gente ia pra tudo quanto era sarau, Slam… não tinham muitos, eram poucos. Muitas pessoas aqui, no morro, tavam querendo fazer o Slam, aí eu e Marcelo Magano, que já fez parte da produção do junto comigo, me ajudou a criar o Slam Laje”, contou MC Martina sobre a chegada do Slam ao Complexo do Alemão.

A poeta contou como se sente ao ver que o Slam Laje tem dado certo: “é uma parada muito boa, porque a gente faz com muito amor. Fazer isso onde eu moro é uma sensação muito boa, eu sinto que tô fazendo minha missão, porque meu objetivo é passar a mensagem, eu e meu irmão. Ver que tá dando certo, que a favela tá abraçando, dá fé pra gente, dá esperança… o Slam é isso.”

Tá curioso pra conhecer a batalha que tomou o Rio? O Voz das Comunidades te explica as regras: são válidas somente poesias autorais que duram até três minutos e não são permitidos adereços, acompanhamentos cênicos e instrumentos musicais. Parece difícil, não? Mas dá muita poesia boa nos eventos.

Algumas melhorias estão vindo com o primeiro aniversário do Slam Laje. Segundo MC Martina, o evento, que acontecia sempre na laje da Casa Brota, agora vai percorrer todo o Complexo do Alemão em vários pontos, com o intuito de “fortalecer a favela e ocupar novos espaços”. A MC e AL-Neg, atualmente os produtores, pretendem trazer várias novidades, algumas ainda são surpresa, mas outras já estão confirmadas para a comemoração de aniversário, como o grupo paulista de teatro As Pardonizadas, grupo feminino de rap Nefertaris Vandal, batalha de passinho com premiação e pocket-show com a MC Thai Flow.

A edição começa às 15h e vai acontecer na Praça Verde da Central, que fica na Avenida Central, número 68 (em frente ao Instituto Raízes em Movimento) – Morro do Alemão. Nas publicações do evento, os organizadores dão algumas dicas de como chegar.

“Vai ser uma tarde de lazer dentro da favela.” MC Martina

Slam Laje – Aniversário de um ano: https://www.facebook.com/events/1797532273603013/?active_tab=about

Slam Laje: https://www.facebook.com/batalhadepoesia/

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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