Covid-19: Favelas registram mais de 1.000 casos; mortes chegam a 254

Número de recuperados da doença é de 686
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O Ministério da Saúde atualizou o painel de casos na noite desta sexta-feira (29), com os dados sobre a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Até o momento, são 27.878 óbitos registrados, 465.166 casos confirmados e 189.476 recuperados. De acordo com o Painel de Atualização de Coronavírus nas Favelas do Rio de Janeiro, criado pelo Voz das Comunidades, foram registrados 1081 novos casos confirmados nas favelas do Rio e 254 óbitos nas últimas 24h. Com os novos casos, as favelas do Rio passaram de mil casos confirmados da doença.

O Painel de Coronavírus nas Favelas é atualizado a partir de informações da Prefeitura do Rio de Janeiro, Governo Estadual do Rio de Janeiro, Clínica da Família Zilda Arns, Clínica da Família Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria – ENSP, Clínica da Família Victor Valla, Clínica da Família Maria do Socorro Silva e Souza, Clínica da Família Anthídio Dias da Silveira, Clínica da Família Rinaldo De Lamare, Cms Dr Albert Sabin e Comitê SOS Providência. A atualização de dados começou no dia 10 de abril de 2020.

Com o objetivo de conter a propagação do vírus, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, determinou no dia 24 de abril o fechamento do comércio em toda a cidade, com exceção de farmácias, supermercados, hortifrútis, padarias, pet-shops, postos de gasolina e lojas de equipamentos médicos e ortopédicos. Ontem (28), Crivella apresentou ao Comitê Científico da prefeitura a proposta dos novos protocolos a serem seguidos, prevendo uma retomada dividida em 6 fases, com a reabertura da atividade econômica na cidade sendo feita de forma gradual e devendo começar nos próximos 15 dias. Mesmo diante do cenário crítico nas comunidades, onde é possível encontrar famílias com pessoas doentes e que ainda não conseguiram realizar o teste, aumentando ainda mais o número de subnotificações, o prefeito planeja o fim da quarentena.

O uso das máscaras


Publicado no Diário Oficial do município do Rio no dia 18 de abril, o decreto nº 47.375 tornou obrigatório uso de máscaras durante a pandemia da Covid-19 e começou a valer no Rio de Janeiro dia 23. O objetivo da medida é conter a disseminação do novo coronavírus. Durante o período de adaptação do uso de máscaras na cidade, projetos e ONGs realizaram ações de conscientização e doações de máscaras, mostrando a necessidade de conter o vírus através do distanciamento social e o uso do novo acessório quando necessário sair de casa.

A regra estabelece multa para estabelecimentos considerados essenciais que permitirem a entrada de pessoas desprotegidas. Pessoas físicas não serão multadas.

Operações durante pandemia


De acordo com a Rede de Observatórios de Segurança, a pandemia não impediu as operações das favelas do Rio de Janeiro, que ocorreram de forma mais frequente e ainda mais letal. Segundo o relatório, mortes em operações policiais no período tiveram uma drástica queda em março, no começo da pandemia (-82,6%), e aumentaram nos últimos dois meses (aumento de 57,9% em abril e 16,7% até 19 de maio).

O último caso registrado em operação policial é o de Bianca Renata, baleada na cabeça na manhã da última segunda-feira (25), na comunidade do Brejo, na Cidade de Deus. Bianca e o marido Júnior estavam dormindo dentro de casa quando foram surpreendidos com a operação policial. 

Os dados publicados na pesquisa do Observatório indicam que durante a epidemia, nos meses de abril e maio, as polícias do estado do Rio usaram mais força letal em operações policiais do que em 2019, quando o Rio de Janeiro teve o recorde de 1.810 mortes causadas por intervenção policial.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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