Digital Favela: plataforma reúne micro-influenciadores de comunidades

Conheça a trajetória de Clayton Guimarães, cria do Complexo da Maré e influenciador da Digital Favela
Guilherme Pierri e Celso Athayde, cofundadores da Digital Favela. Foto: Divulgação
Guilherme Pierri e Celso Athayde, cofundadores da Digital Favela. Foto: Divulgação

A Digital Favela é uma plataforma que reúne micro-influenciadores de favela, com a ideia de automatizar, segmentar e distribuir campanhas em redes sociais, como Instagram e YouTube. O objetivo é oferecer oportunidades para criadores de conteúdos, moradores de comunidades, e estimular o empreendedorismo através dos micro-influenciadores comunitários (MICs). Em vista disto, o foco do projeto são as marcas interessadas em ampliar a comunicação com esses espaços.

O projeto é um empreendimento conjunto que une a Central Única das Favelas (CUFA), por meio da Favela Holding com a agência de propaganda Peppery. Guilherme Pierri, fundador da Peppery e Celso Athayde, fundador da CUFA, são os cofundadores da plataforma. A Digital Favela já está presente em mais de 3 mil favelas do Brasil, com mais de 5 mil micro-influenciadores. As primeiras marcas a participarem do projeto foram PicPay, Facebook e Uber.

Para ser um micro-influenciador é necessário ter uma conta no Instagram registrada como comercial e cadastrar-se na plataforma gratuitamente. A partir dos dados fornecidos no cadastro, a Digital Favela busca campanhas que se encaixem com o conteúdo que o influenciador produz, a fim de conectá-lo com as marcas. Assim, as marcas que têm interesse em se tornar anunciantes, devem preencher um formulário no site

A trajetória de Clayton Guimarães, influenciador do Digital Favela

Clayton Guimarães, de 38 anos, é cria do Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, e barbeiro há 24 anos. Começou a fazer cortes de cabelo em cima da laje da casa de seus pais no Parque União, uma das 16 favelas que compõem o Complexo da Maré.

Em 5 anos sua vida mudou. O barbeiro se aperfeiçoou, estudou, correu atrás, tornou-se empreendedor e influenciador com mais de 100 mil seguidores no Instagram. Clayton apostou no conceito de barber shop, projeto inovador de barbearia com estilo retrô e proposta diferenciada. Com isso, abriu a primeira Cool Barber Shop no Parque União. Hoje já são quatro filias: Na Vila do Pinheiro, também no Complexo da Maré, na Tijuca e em Bonsucesso. 

Clayton Guimarães. Foto: Acervo Pessoal

Além de barbeiro, Clayton é empresário, influencer, embaixador de diversas marcas, formado em Pedagogia, professor de barbearia e ministra cursos e workshops. Formou mais de 4 mil alunos e já deu palestras em Portugal. “Não é porque eu sou um barbeiro que eu não me tornaria um empresário. Não é porque eu sou empresário que não poderia ser um educador. E não é porque eu sou um educador que eu não poderia ser um influencer. Cada dia é um novo dia, uma nova oportunidade. O principal diferencial é não fechar as portas, não limitar nosso poder de ação”, diz Clayton.

Tornar-se um influenciador foi uma inovação na carreira de Clayton. As redes sociais deram um caminho diferente ao empresário. Ele declarou que essas são, atualmente, sua principal ferramenta de trabalho e passa mais tempo nas plataformas digitais que nas barbearias, pois é na internet que as portas se abrem para ampliar seu negócio. 

A Digital Favela deu oportunidade de Clayton usar sua imagem para promover a empresa e influenciar moradores de favelas. “A nova plataforma do Digital Favela é sensacional. Exercer influência no lugar que você foi nascido e criado e as pessoas dali te verem como referência, já é uma oportunidade gigantesca. Você mostra para aquelas pessoas que é possível vencer, mudar de vida e romper barreiras. Ultrapassa a questão de conseguir coisas e ganhar dinheiro. Transforma-se em missão. Proposta de vida”, conta.

Clayton Guimarães é barbeiro, influenciador e empresário, dono da Cool Barber Shop. Foto: Acervo Pessoal

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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