Explicadoras fazem a diferença no aprendizado das crianças na favela

Há mais de 20 anos atuando no Alemão, a educadora Telma fala sobre os desafios do reforço escolar e a importância de cuidar da educação infantil na comunidade
Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades
Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades

Dentro das comunidades do Rio, uma das funções mais importantes é a da explicadora. A explicadora é uma grande aliada no auxílio à formação de jovens alunos, sendo suporte para as muitas lacunas deixadas pelo ensino público ou privado. Na localidade do Loteamento, no Complexo do Alemão, a professora Telma Cordeiro, de 44 anos, é uma destas figuras fundamentais. A educadora é nascida e criada no Alemão e, há 24 anos, trabalha com reforço escolar infantil.

Na travessa Mexicali, número 81, fica localizada a tradicional escolinha da Tia Telma. A instituição é conhecida por diversos moradores da região que já passaram pelo local ou conhecem alguém que foi aluno. Telma ainda adolescete começou a dar aulas de reforço escolar para colegas da sua rua, para fazer uma renda extra e ajudar em casa. Anos depois, em 1997, começou com seu educandário infantil. 

Reforço escolar

Mesmo abrangendo crianças pequenas com maternal, a professora continua com as aulas de reforço escolar. Muito se fala que a pandemia é quem causou maiores problemas na educação infantil. Mas a professora relata que o problema não é de hoje, ele tem relação também com o compromisso dos pais com a educação.  

“Tem crianças com 10, 11 anos, que os pais, mesmo antes da pandemia, já me procuravam, pois os filhos não eram alfabetizados. Então, não foi a pandemia a responsável direta. Ela só evidenciou. Na minha opinião, falta um acompanhamento dos estudos das crianças dentro de casa. Além de também entender a dificuldade da criança, toda a responsabilidade não pode ser do professor. O maior legado que um pai pode deixar pro filho é a educação”, afirma Telma. A professora opta por um ensino de maior atenção às crianças, para conseguir desenvolver melhor o aprendizado, o que se torna um diferencial em seu trabalho.

Ausência de atenção

Ainda assim, a realidade de pais moradores de favela são complexas e distintas, devido ao fato de muitos terem de trabalhar e até mesmo se dividirem em uma dupla jornada, para terem o sustento do dia a dia. A figura da explicadora se transforma em uma importante aliada para ajudar na formação educacional das crianças. 

O reforço escolar é mais que uma ponte entre o conhecimento, é você cuidar de uma criança que perdeu etapas da sua formação. Isso é fruto da ausência de um apoio maior da rede pública de buscar compreender o que aquele aluno precisa. Numa sala com 40 crianças e um professor, é desigual. É um problema que acontece com muitos alunos de diferentes escolas. Então, é um problema no sistema.”        

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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