Moradora do Turano fala sobre apropriação da cultura periférica em artigo

A jornalista comunitária Carla Regina leva a temática da favelas e do favelado como principal assunto do seu artigo para o blog Eu, Rio
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Atualmente, Carla Regina, de 47 anos, moradora do Morro do Turano, que fica na Tijuca, zona norte da cidade do Rio, além de jornalista do Eu Rio, também escreve para a Agência Nacional das Favelas e para o A Voz da Favela. Em seu artigo Cria da Favela, a jornalista aborda a história e origem do termo favela e o surgimento do que conhecemos hoje, com um olhar alternativo ao que é noticiado pela mídia tradicional, trazendo a cultura, vocabulário, hábitos, histórias dos moradores de favelas. E como essas ações são enxergadas de forma preconceituosa por pessoas fora dessa realidade: a favela no olhar de quem vive e entende.

O Rio de Janeiro tem como uma das suas características principais a favela. A identidade do carioca é entrelaçada com a cultura do favelado. Samba, pagode, funk são alguns exemplos desta misturas de perfis. Contudo, essas influências socioculturais são postas de lado e não levadas em consideração quando a sociedade põe à margem, discrimina ou destrata o favelado.

“A minha pretensão é mostrar, para aqueles que não moram em favelas, que dentro delas existem seres humanos, que existem pessoas, cidadãs e cidadãos que trabalham, pagam seus impostos, que se divertem, que têm problemas como eles também têm. Mostrar que temos histórias, muita cultura, tradição, nada surgiu de repente. Que assim como eles, nós também queremos ser tratados com mínimo de dignidade e respeito. E para os moradores, matar um pouco da saudade da infância ou de outras épocas, fazer com que se orgulhem disso, que fazemos parte sim da sociedade, e que somos muito mais importante para este país do que pensamos e do que eles tentam fazer com que acreditemos. A pandemia está mostrando isso, os governantes estão desesperados com os trabalhadores em casa, e onde estão a maioria dos trabalhadores? Nas favelas!”.

A jornalista relata como o texto também serve para mostrar que as pessoas do asfalto se apropriam da cultura periférica para se exibirem em redes sociais, mas não querem o favelado convivendo nos mesmos espaços que elas. “O que me levou a falar sobre as favelas foi o fato de estar chateada há muito tempo com a forma com que a grande mídia aborda. Não gosto, para ser bem direta, estou de “saco cheio” mesmo. As pessoas acham que as favelas surgiram do nada, e por isso, devem ser exterminadas, porque se baseiam no que veem nos noticiários”.

Carla venceu o Prêmio ANF de Jornalismo em 2019 contando a história do Morro do Turano, com o texto Pega a visão da cria do Turano. O artigo já teve mais de duas mil visualizações. E agora a jornalista novamente vem trazendo para o público um pouco da rica realidade do que é a favela sob o olhar de quem realmente é cria dela.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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