Projeto de apoio escolar trabalha com crianças e adolescentes no Borel

FB_IMG_1554146188936

‘É um lugar excelente, com profissionais muito capacitados e é um benefício para a comunidade’, diz mãe de aluna

Os números do Índice de Educação Básica (Ideb) apontam uma queda na qualidade do ensino no país, segundo o último balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para o ano de 2017. Por outro lado, o Projeto Vida Renovada (Provir) trabalha para garantir acesso à educação para crianças e adolescentes do Morro do Borel, na Tijuca, zona norte do Rio. A instituição iniciou as atividades em 2011 e, desde então, busca parcerias para atingir a demanda de atendimento. Cultura, lazer e arte marcam as ações ofertadas pela ONG.

Pouco mais de noventa alunos divididos em contraturno escolar participam do Provir, uma instituição que promove a educação complementar e atende, semanalmente, crianças e adolescentes, de 6 a 14 anos, do Borel. A ONG oferece apoio escolar e acredita em um projeto pedagógico com metodologia sociointeracionista, utilizando de oficinas de teatro, xadrez e informática para a formação educacional e cidadã deles. Todas as atividades são oferecidas gratuitamente, há oito anos, aos participantes do Provir. Sem receber nenhum investimento do governo, o projeto atua com alunos dos anos iniciais e finais do ensino fundamental.

Mais de noventa alunos são beneficiados pelo projeto. Foto: Reprodução

A Organização também desenvolve um trabalho de psicoterapia com a família dos assistidos, além de enviar os pais desempregados para bancos de emprego com instituições parceiras. A diretora do projeto, Eliude Santana, 48, diz que a participação da família na vida dos filhos é um fator determinante para um bom resultado. “Não é possível fazer um trabalho de sucesso sem o envolvimento delas [as famílias]. Nosso desafio é trazê-las para perto, fazendo com que entendam a necessidade de assumir o protagonismo para uma ação de êxito”.

Matheus Alves, 23, professor de informática e xadrez afirma a importância de dar aula na favela. “Dou meu trabalho não para um lugar externo, mas para dentro da comunidade. Isso me deixa muito feliz. Dar acesso à educação digital, assim como tive, e ver que posso fazer o mesmo, para mim, é gratificante”, conta. O significativo reconhecimento da comunidade e de escolas do entorno fez com que mais crianças fossem encaminhadas ao projeto. Devido à ausência de recursos suficientes para atender às demandas, o Provir criou uma lista de espera. No entanto, o desejo é realizar um trabalho pleno.

“Nós vemos crianças que mudaram seus posicionamentos diante da vida e isso é muito importante. Essa mudança reflete na comunidade”, diz Glaucoln Barro, 29, professor de apoio escolar.

Para Cláudia Lyra, 41, mãe de uma aluna, o projeto não pode parar. “É um lugar excelente, com profissionais muito capacitados e é um benefício para a comunidade. A minha filha melhorou muito na escola e agora tem um ótimo desempenho”, comenta. A associação também tem o “Provir em Movimento”, que conta com aulas de dança para meninas na mesma faixa etária. Segundo a diretora da ONG, no próximo semestre, o projeto terá oficina de inglês.

Segundo a diretora da ONG, no próximo semestre, o projeto terá oficina de inglês. Foto: Reprodução

Para se inscrever, o aluno deve estar entre o 1o e 4o ano, matriculado regularmente em um estabelecimento de ensino e o responsável comparecer ao projeto para fazer o cadastro para lista de espera. Santana afirma que no início de cada ano, em média, dez novos alunos são chamados desta lista, que pode levar dois anos. A Organização fica na Travessa Belcap, 59A e para mais informações, ligue: (21) 3238-2773.

O Ideb

Criado em 2007 pelo Inep, o Ideb é um indicador que monitora a qualidade do aprendizado no Brasil e estabelece metas para que estados e municípios trabalhem para a melhoria do ensino. De acordo com dados do último balanço divulgado pelo órgão, o país não alcançou a meta nacional para 2017, que era de 4,7, ficando com 3,8. O Rio de Janeiro não atingiu a meta para os anos iniciais (1o ao 5o ano) e finais (6o ao 9o ano) e, também, para o ensino médio. O índice é calculado pela aprovação dos alunos nas provas de Português e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as taxas de aprovação, reunidas pelo Censo Escolar, que leva em consideração o período estudantil dos avaliados.

 

Compartilhe este post com seus amigos

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp

EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

Contato:
[email protected]