Aos 8 anos, Ágatha Felix é enterrada no Cemitério de Inhaúma

Esse é o 16° caso de criança baleada no Estado do Rio de Janeiro em 2019
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Aconteceu na tarde deste domingo, 22 de setembro de 2019, o enterro da menina Ágatha Félix, morta após ser baleada nas costas na noite da última sexta-feira (20), na comunidade Fazendinha. Uma manifestação deu início ao cortejo, reunindo centenas de moradores do Complexo do Alemão em frente ao UPA da Estrada do Itararé desde às 13h, que percorreram cerca de 4 Km até o Cemitério de Inhaúma, onde foi velado o corpo da criança. 

Centenas de moradores desceram o Complexo para se despedir da menina. Foto: Melissa Cannabrava/ Voz das Comunidades

Inconformados com a morte da filha, os pais de Ágatha se recusaram dar entrevistas e também negaram a ajuda de custo oferecida pelo Governo do Rio, para arcar com as despesas do sepultamento.

A mãe percorreu o caminho até o cemitério abraçando uma das bonecas preferidas de Ágatha. Foto: Bruno Itan / Olhar Complexo

Durante o velório, o motorista que dirigia a kombi onde a criança estava quando foi baleada se exaltou e inconformado, criticou a atuação da polícia militar na favela. “Mataram uma criança! É tudo covarde!”, gritou no meio da rua antes de ser amparados por populares.

Motorista da Kombi precisou ser amparado por populares. Foto: Melissa Cannabrava/ Voz das Comunidades

Com balões e faixas, a família, professores, vizinhos e amigos enterraram Ágatha às 16h, em meio de muita emoção, palavras de ordem e aplausos. Até o momento, o governador Wilson Witzel ainda não se pronunciou sobre o caso. Ágatha estudava balé, inglês e é a 5° criança morta no Complexo do Alemão esse ano. 

Homens do serviço de Mototáxi seguiram no cortejo até Inhauma. Foto: Melissa Cannabrava / Voz das Comunidades

De acordo com pesquisa do laboratório de dados Fogo Cruzado, esse é o 16° caso de crianças baleadas no Estado do Rio de Janeiro em 2019, entre elas está Luane Cristine Machado Batista, de 7 anos, ferida por uma bala perdida na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha no fim do mês passado. 

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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