Até que ponto nossa acadêmia resistirá?

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Ao redor do mundo, transitando pelas mais aclamadas universidades, a carreira acadêmica se mostra dinâmica, intensa e próspera, garimpando valores banhados à competência, eficiência e disciplina. O objetivo primordial, além de conferir diploma aos que obtiverem êxito nas disciplinas, é formar profissionais de excelência, com conhecimentos técnicos, filosóficos, científicos e artísticos, que possam retribuir os anos de aprendizado, com os mais diversos benefícios à sociedade.

Ao revés, em nosso país tupiniquim existe um vácuo que açoita as nossas universidades, especialmente as públicas, que mais se assemelha a locais abandonados, que pararam no tempo, onde investimentos inexistem, em um ciclo vicioso que passa a incluir professores desmotivados, que se esforçam para cumprir suas respectivas cargas horárias, visto se dedicarem a outras atividades as quais lhes oferecem maior rentabilidade.

E não é só, a pesquisa científica, sem qualquer incentivo, resulta em desinteresse dos docentes na sua promoção, levando o Brasil a figurar no pífio ranking dos países mais irrelevantes no cenário científico internacional, até mesmo porque os professores nas universidades federais, por exemplo, têm sua ascensão na carreira garantida unicamente por tempo de serviço, bastando para tanto, não fazer nada, à revelia de parâmetros meritórios.

O cenário descrito aliado ao vivenciado nos últimos anos, isto é, invasão das universidades com destruição de décadas de pesquisas, infraestrutura precária, greves conduzidas por simpatizantes de partidos políticos, méritos para formação de alunos deixando de lado o zelo pela qualidade, são fatores que sugerem uma combinação perfeita para demolir qualquer ambiente acadêmico, mas por outro lado, criam manchetes sensacionalistas de caráter populista, interessantes a determinados grupos.

Infelizmente, ao que parece, Paulo Freire tem razão ao dizer que “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de maneira crítica.”

Esta coluna é de responsabilidade de seus autores e nenhuma opinião se refere à deste jornal.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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