EDUCAP é alvejado por tiros

Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)
Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)

Não é de hoje que a violência no Complexo do Alemão vem assustando os moradores. Os maiores prejudicados são os estudantes e trabalhadores que necessitam sair da comunidade ou até mesmo estar nela para exercitar as suas atividades diárias. Desta vez o alvo da frequente troca de tiros foi a ONG EDUCAP.

A ONG EDUCAP (Espaço Democrático de União, Convivência, Aprendizagem e Prevenção) tem sido alvejada constantemente com os tiroteios que ocorrem na região. O espaço localizado na Canitar oferece diversos cursos para os jovens e adultos da comunidade, com o intuito de levar aos interessados um estimulo e uma perspectiva de cidadania melhor.

Segundo Lúcia Cabral, gestora da ONG, de alguns meses para cá uma cabine policial foi instalada ao lado da sede e isso fez com que os riscos aumentassem muito. Quase sempre nas trocas de ros o teto tem sido atingido. Toda vez que ocorrem os tiroteios, ela e os professores têm de correr para tirar os alunos do campo de futebol que fica em frente e pedir para que os alunos em sala se abaixem.

À noite o Educap oferece aulas de alfabetização e já aconteceu de ficar uma semana sem aula por causa da violência. Esses incidentes desmotivam e afastam os alunos, além de dificultar a captação de patrocínio, adesão de colaboradores e outros recursos que contribuem com os projetos.

A cabine policial implantada ao lado da sede - Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)
A cabine policial implantada ao lado da sede – Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)

A cabine policial implantada ao lado da sede é um caso a se pensar porque é nítido que a insegurança predomina em toda a área. “A Canitar era o lugar mais seguro antes dessa cabine aparecer ali, porque os tiroteios eram lá para dentro”, diz a gestora da ONG.

Na visão de Lúcia, que é assistente social, uma nova política de segurança deveria ser pensada porque esse método imposto na comunidade fere demais os moradores e o governo gastaria menos se investisse numa tática diferente com menos armas e mais educação.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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