Escola sem partido

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O projeto que prevê uma educação sem partido tem o objetivo de tornar a escola um espaço único, padronizado, onde professores não poderiam expressar suas opiniões e as discussões sobre gênero, sexualidade, política, cidadania, discriminação não poderiam ser abordadas em sala. O professor deveria ser neutro, mas neutralidade existe?

Neutralidade não existe. Você pode até tentar não se posicionar, não transparecer o que está sentindo, não querer que o outro saiba o que está pensando, mas não tem jeito, o que borbulha dentro de você pode ser passado para o outro até inconscientemente. Não podemos estar presentes em um lugar e pensarmos que não estamos afetando esse espaço ou sendo afetado por ele, as respostas que nosso corpo produz é instintiva algumas vezes.

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A escola já e um lugar desacreditado pela sociedade, possui pouco ou quase nada de espaço a criatividade, a potência do aluno, é fácil tornar-se um “aluno problema”. A escola sem partido apenas iria reforçar e piorar esse modelo padronizado já existente. O número de jovens que abandonam a escola, que não estão no ano correspondente a idade é enorme, vivemos um modelo escolar do século passado que não mais se encaixa no mundo atual. O “problema” pode tornar-se uma genialidade.

Os professores são trabalhadores que lutam contra a corrente diariamente, estão frente a frente com o futuro do nosso país, são mal remunerados diante da grande responsabilidade que tem em suas mãos. Se não puderem trazer para a aula o que se vive no mundo, do que vale a escola?


Se a sua preocupação for o fato do seu filho ser influenciado pelas ideais do professor, te digo que talvez ele possa saber bem mais com o acesso as tecnologias e provavelmente, ele terá um professor com ideias opostas no próximo ano. Nosso mundo é plural e ter que lidar com as diferenças faz com que entremos em contato com nós mesmos.

AUTOR:

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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