Favelado e sertanejo, conheça Sávio Araújo morador da Kelson’s

Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades
Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades

A nova voz do sertanejo, vem da Favela. Nascido e criado na Favela da Kelson’s, Sávio Araújo, aos 19 anos já tem a experiência e o prestígio de muitos artistas que estão há mais tempo na música. Lançado oficialmente há poucos meses, o jovem tem um futuro pra lá de promissor e é aposta de sucesso.

Quem vê Sávio andando pela Kelson´s não imagina o tantão de experiência que ele vem adquirindo desde quando decidiu largar o emprego pra viver da música, especificamente no fim de 2016. A não ser que você seja morador lá da favela. Na Kelson´s todo mundo o conhece e gosta dele. “Eu nasci e cresci aqui. Conheço todo mundo, aqui foi o primeiro lugar que cantei. É daqui o meu público mais fiel”, conta.

Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades
Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades

O jovem começou a se envolver com a música aos 14 anos, quando foi convidado por dois amigos para participar do Ministério de música na igreja católica de sua comunidade. “Eu nunca tinha cantado com meus amigos. Quando​ aconteceu, eles gostaram e me chamaram pro Ministério onde fiz parte por cinco anos, inclusive como coordenador, e cantei para mais de dez mil pessoas em um evento católico, em Copacabana”, conta. O último evento de Sávio pela igreja foi a última festa junina dentro da Maré. “Foi uma festa muito, mas muito cheia e eu cantei Sertanejo para um público imenso”, recorda.

A carreira Sertaneja começou por influência de um amigo produtor, Felipe Sanchez, conhecido como Chocolate. “O Chocolate me viu e acreditou em mim e tem me ajudado bastante. Ela é meu baixista e mais do Arlindo Cruz, da Ana Carolina. Um cara maravilhoso., que eu só tenho a agradecer”, conta Sávio. Mesmo ainda sem empresário, Sávio já conquistou alguns palcos em São Paulo e ganhou amigos importantes. “Fui pra SP com a minha turnê montada. Só não tinha onde tocar. Aconteceu aquela rixa Rio x Paulo porque eles acham que carioca só canta funk e pagode. Mas eu pedi uma oportunidade e graças a Deus consegui”, tocou em cinco cidades do interior de São Paulo e ainda visitou a casa de Mariano, da dupla Munhoz e Mariano. “Na casa do Mariano estavam vários outros artistas e os maiores contratantes de São Paulo e do Brasil. Eles gostaram de mim, da minha voz. e agora eu estou tentando cantar no festival de Barretos”, planeja ainda para esse ano.

Com a hashtag #seguramundão, Sávio já toca em rádios aqui do Rio com música de sua autoria e tem uma agenda de show bastante movimentada. Para os próximos meses tem show em Ramos, na quadra da Mangueira, toda semana no Espaço Mix, na Penha, e claro, planos de um show na Kelson’s. “Já me mandaram esconder a minha origem, mas eu não aceito isso, não. Eu sou da favela, eu sou favelado e foi aqui onde tudo começou”. Sobre o futuro, as expectativas são grandes e sobre o passado, muita gratidão. “Minha família sempre esteve comigo, mesmo quando muitos desacreditaram. Eu toquei na Fest Mel em fevereiro, o primeiro evento que fiz, pra quase 300 pessoas e agradeço demais esse espaço que me abriu muitas portas. Eu sempre sonhei em ser reconhecido, mas está tudo acontecendo muito rápido. Espero conseguir cantar em Barretos esse ano e sair de lá com uma gravadora, conseguir um empresário e ter estabilidade para investir na minha família e na minha carreira”. E, se depender dessa maré boa em que ele se encontra, esses e outros sonhos serão realizados.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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