A mídia comunitária e participativa do PPG

IMG_8744

Há pouco mais de dois anos as comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo têm uma mídia representativa que busca informar os moradores dos locais sobre segurança e oportunidades. O PPG Informativo, criado e cuidado por Ana Muza Cipriano, é um jornal virtual e conta com mais de seis mil acompanhantes na página do Facebook.

O projeto surgiu em setembro de 2014, inspirado em mídias comunitárias como o CDD Acontece. Ana Muza, que morou na comunidade por 27 anos, foi a representante da comunidade no quadro do RJTV “Parceiro do RJ” e, após o término do trabalho, reconheceu a necessidade de firmar uma mídia comunitária no território. “A grande mídia faz o papel dela, mas a história da comunidade e o cotidiano da mesma NUNCA será contada da mesma maneira que um morador contaria. Então podemos dizer que o nascimento do PPG Informativo também foi devido à necessidade de uma representação fiel sobre a comunidade”, conta. O trabalho é feito voluntariamente por pessoas que acreditam na missão do informativo. Além de Ana Muza, que é diretora geral e jornalista, auxiliam Larissa Montez, que é assistente de comunicação, e Thamila Magno, designer.

A página conta com informações que são passadas diariamente aos moradores, sejam elas sobre saúde, educação, cultura, esporte ou entretenimento. Tudo sobre a comunidade e para a comunidade. O PPG Informativo contribuiu para para a solução de casos específicos ligados a falta de luz e de água, quando moradores entraram em contato pedindo auxílio. Além de unificar as informações sobre o Pavão Pavãozinho e Cantagalo, o jornal também tem como objetivo facilitar o acesso aos líderes comunitários, com a criação de uma ponte entre Associação e moradores. Ainda na linha de contribuir com a comunidade, foi criado o PPG IMÓVEL, que cuida somente dos imóveis vagos. A ideia é conscientizar para gerar uma comunidade mais limpa, diminuindo o anúncio impresso que causa sujeiras em valas e ruas.

O sucesso do PPG Informativo resultou na criação de um aplicativo feito por uma moradora, como conta Ana Muza. “Ao longo desses 2 anos, a gente aprendeu muita coisa e passar isso aos moradores nos fez perceber como eles ainda são carentes de informações básicas. Há moradores que nos mandam “bom dia”, todo dia, e perguntam se podem sair de casa devido a algum confronto (mesmo sabendo que não tratamos desse assunto). Há moradores que nos enxergam como a própria Associação, cobram de nós melhorias e serviços. Acreditamos que essa identidade já foi criada quando uma moradora local resolveu formatar uma ferramenta de comunicação com uma linguagem informal e verídica dos fatos.  O aplicativo já está funcionando, mas apenas com visualização livre pela internet. Ainda não recomendamos baixá-lo. Precisamos de recursos financeiros para dar continuidade. Vamos torcer para que, em 2017, isso aconteça com sucesso”, explica.

A participação do morador é essencial para o andamento da página, já que desde 2016 Ana Muza não vive mais na comunidade. Os moradores têm canal direto com ela pelas páginas e WhatsApp. Além disso, Ana está semanalmente presente nas favelas para reuniões. O quadro #clickmorador é um exemplo de interação, com 100% das fotos enviadas pelos moradores, toda semana. O envio é anônimo, para assegurar a confidencialidade do contato. As fotos são recebidas por WhatsApp e/ou Messenger. “Criamos uma pequena chamada e sempre entramos em contato com a Presidente da comunidade para que ela, como líder, tome as devidas providências. Nem ela fica ciente de quem nos mandou a foto”, esclarece Ana, que é quem recebe pessoalmente as fotos e mensagens.

O PPG Informativo trabalha com duas listas de transmissão no WhatsApp: PPG Notícias e PPG Imóveis. Todas são acessíveis gratuitamente pelos moradores, onde eles recebem informativos diários de acordo com o que escolheram. O cadastro é feito através de um preenchimento automático, onde ele coloca nome completo, telefone e endereço em uma das listas. Todo o cadastro é validado em até 24h, quando o morador já começa a receber as informações. Além da página no Facebook, existe o grupo BOTA FORA PPG (para desapego de objetos), PPG IMÓVEIS (anúncios imobiliários) e PPG oportunidades (para ofertas de emprego).

O trabalho, por ser colaborativo, não conta com renda fixa, e os gastos com passagens para reuniões comunitárias, impulsionamento de publicação, internet, luz e manutenção do notebook e celular são ajudados com o canal de publicidade criado. “Todos podem anunciar seus serviços e empreendimentos com valores acessíveis para micro e macro empresas. As oportunidades de empregos são enviadas pela DARBS RH, que é nossa parceira para recrutar os moradores interessados. Ainda não recebemos nenhum prêmio, mas vale o reconhecimento dos moradores como um jornal interativo, eficaz e de credibilidade”, finaliza a fundadora do jornal.

Compartilhe este post com seus amigos

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp

EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

Contato:
[email protected]