Moradores denunciam arrombamentos e roubos durante operação no Alemão

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“Enquanto as crianças choravam, um deles disse que sou uma péssima mãe e que nem era capaz de acalmar meus filhos”

Uma mega operação que deu início na manhã desta terça feira (30) e contou com a presença de militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o Centro de Operações Especiais (COE) e policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) trouxe à tona dezenas de relatos nas redes sociais, onde moradores denunciam arrombamentos, invasões e roubos no Complexo do Alemão, zona norte do Rio.

Com exclusividade para o Voz das Comunidades, uma moradora que por medo de represálias pediu para não ser identificada, contou que estava em casa tentando proteger seus filhos de 4 e 5 anos dos tiros, quando foi surpreendida por policiais batendo em sua porta.

“Por volta de 7 e pouca da manhã meu marido saiu para trabalhar, tranquei a porta e fui para o quarto com meus filhos. Pouco tempo depois ouvi gente batendo e gritei perguntando quem era, achei até que fosse ele voltando por causa do tiroteio, mas ninguém respondeu. Quando fui até a porta, vi várias armas e tive certeza que não era ele. Abri a porta tranquilamente e vários homens fardados começaram a entrar na minha casa, um deles gritou mandando eu voltar para o quarto e me trancar lá. Fiquei muito nervosa quando abriram as janelas e começaram a atirar de dentro da minha casa para fora”. — Conta a moradora da comunidade das Palmeiras.

“Quando eles subiram para a laje foi o inferno total, era muito tiro! Eu ouvia os passos deles correndo e nessa hora meus filhos já estavam chorando muito. Pedi para ir embora, queria levar as crianças para a casa do meu pai, mas não deixaram e mandaram eu ficar. Minha casa estava toda aberta e nem a porta da sala deixaram eu fechar.”

A dona de casa também contou que escondeu seu celular e que em certo momento conseguiu pedir ajuda. “Eu não tinha condições nenhuma de ficar ali sozinha, tomei coragem e entrei em contato com uma conhecida. Ela ficou me ligando e eu escondendo o celular com medo dos policiais pegarem. Enquanto as crianças choravam um deles disse que sou uma péssima mãe e que nem era capaz de acalmar meus filhos” – lembra.

“Meu pai chegou para ficar com a gente e nessa hora começaram a tacar bomba. Meu pai perguntou sobre mandato e essas coisas que a gente sabe que existe, mas mandaram calar a boca e ameaçaram levar ele para a delegacia enquanto reviravam meus armários e pegavam coisas da minha geladeira. Tinha um monte de armas jogadas no meu sofá. Foi horrível e tenho certeza que meus filhos nunca vão esquecer disso”.

Denúncia de roubo

O repórter fotográfico Betinho Casas Novas denunciou nas redes sociais que militares invadiram a casa da sua cunhada durante a operação e furtaram uma mochila com documentos e computador nas primeiras horas da manhã. A família estava dormindo no momento em que policiais invadiram a residência para usar a laje da casa como base.

Nas redes, Betinho publicou conversa. Foto: Reprodução da Internet

Mais um dia sem aulas

As escolas do Complexo do Alemão e ao redor, tiveram as aulas suspensas e mais um dia alunos tiveram que retornar para suas casas. Às 6:57 da manhã a escola Caic Theophilo, que fica no Largo do Terço, na Nova Brasília, informou através do Twitter que o dia letivo estava suspenso.

Escola informa sobre aulas suspensas por motivo de força maior. Foto: Reprodução da Internet

No total, a guerra à favela que apavorou milhares de famílias do Complexo do Alemão, resultou na apreensão de uma arma, granadas e munições, além de um registro fotográfico a pedido do governador Wilson Witzel, que nunca esteve na comunidade e comemorou orgulhoso a ação.

VEJA TAMBÉM: Durante operação, mulher em trabalho de parto aguarda 3h por socorro

Sobre as invasões, depredações e roubos, a Assessoria de Imprensa da Polícia esclarece que não tem informações até o momento e diz que vale ressaltar que denúncias envolvendo policiais militares, devem ser enviadas para a Corregedoria através dos canais: WhatsApp no número (21) 97598-4593, por telefone pelo número (21) 2725-9098 ou ainda pelo e-mail [email protected]

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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