No Dia Mundial do Meio Ambiente, organizações cuidam do que é esquecido pelo Estado

No dia do meio ambiente, mostramos que movimentos periféricos trabalham para levar essa conscientização sobre meio ambiente e sustentabilidade às favelas.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, organizações cuidam do que é esquecido pelo Estado

Hoje, dia 05 de Junho, é o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data, instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em 15 de dezembro de 1972, tem o intuito de conscientizar a respeito da importância de preservar os recursos naturais. E movimentos periféricos trabalham para levar essa conscientização sobre meio ambiente e sustentabilidade às favelas.

O papel de informação e preservação do meio ambiente é de responsabilidade do Estado e da população. Entretanto, acabou sendo uma atuação na sua maioria de organizações sociais, por conta da omissão do governo em lugares em que se encontram pessoas de maior vulnerabilidade social, como é a favela.

A relação da favela e meio ambiente podemos ressaltar o racismo ambiental onde só acontece em periferias, por não ter acesso aos direitos básicos, como água encanada e saneamento básico, existe um grande descuido do estado nas favelas, onde muitas obras nem acontecem e nem terminam. Mudança climática nas favelas tende ser um perigo, quando chuvas fortes deixam o local sem estrutura para estes grandes eventos. Aqui no Alemão e Penha temos uma floresta de Mata Atlântica, a Serra da Misericórdia, onde boa parte dos anos não é vista como nada pelo estado e fortalecendo o desmatamento e a instabilidade local. Só podemos melhorar se todos somarem e perceberem a importância de uma árvore em pé, não matar nenhum dos  animais que vivem nesses locais. Acredito muito no diálogo com moradores e a conscientização local. O estado também precisa enxergar esses lugares como uma potência ambiental e levar os direitos básicos citados acima. (..) Respeitar todos os seres vivos é respeitar ao meio ambiente e falar de meio ambiente e favela é falar de vidas”, comenta Edlene Conrado de 27 anos, afroindígena e cria da Grota, no Complexo do Alemão. Edlene estuda no PerifaConnection, uma plataforma de disputa da narrativa sobre as periferias, na qual está sendo desenvolvido um estudo sobre o diálogo entre meio ambiente e favela.

Edlene

Nas favelas do Rio de Janeiro existem vários grupos, projetos e movimentos que mostram a moradores que é possível ter iniciativas sustentáveis dentro das comunidades. Com ações em diferentes frentes, como coleta de óleo de cozinha usado, reflorestamento e hortas comunitárias, estão lutando pela democratização dessa prática tão importante que é cuidar do lugar em que vivemos.

O projeto Rede Favela Sustentável é um desses movimentos. No dia do meio ambiente, a rede lançou a campanha virtual #ApoieUmCatador! Idealizada pelo Grupo de Trabalho de Resíduos Sólidos, é uma campanha unificadora de apoio a movimentos atuando em prol das catadoras e catadores de materiais recicláveis da região metropolitana do Rio de Janeiro impactados pela pandemia da Covid-19. A campanha também estimula a sociedade a tomar consciência sobre o seu próprio lixo em um momento em que tantas pessoas estão em casa com a oportunidade de ter maior contato com os resíduos que geram.

A iniciativa consiste em convidar pessoas a participar do desafio #MostreSeuLixo e fazer um vídeo caseiro mostrando os resíduos da sua casa. Você pode, por exemplo, mostrar como é separação do seu lixo, como você reaproveita materiais recicláveis, se tem ou não coleta seletiva na sua rua. O mais importante é que no vídeo você use a hashtag #ApoieUmCatador e convide as pessoas a acessarem a página da campanha. E no final você deve convidar três colegas a fazerem o vídeo também! Além de fazer o vídeo, é possível fazer uma doação e ajudar os catadores, acessando o link https://spark.adobe.com/page/YP57NPy75i6I8/.