OPINIÃO | As minorias são maioria no Brasil

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Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) feita em 2016, pelo IBGE, pessoas negras e pardas são a maioria da população brasileira com 54.9%. Outra pesquisa também realizada pela PNAD em 2015, concluiu que as mulheres são maioria populacional chegando à 51.48% no país. Já dados da Oxfam Brasil, relataram que a riqueza concentrada entre os 100 milhões de cidadãos mais pobres do país é a mesma se juntarmos as seis pessoas mais ricas do Brasil. Mas o que todos estes dados têm em comum? Os grupos de pessoas exemplificados acima são maioria dentro de um contexto numérico, mas são classificadas como minorias dentro de um cenário social.

Portanto, o termo minoria transcende seu conceito como quesito quantitativo, e passa a se classificar por grupos que enfrentam desigualdade e exclusão social, quando consideramos os direitos conquistados e sua representatividade diante da sociedade. Entretanto, se uma parcela da população é considerada minoria, quem é a maioria? Resumidamente, o homem branco, hétero, rico e letrado, ao longo dos anos adquiriu vários privilégios sobre os demais, logo, quem possui estas características é classificado dentro de uma maioria social. Desta forma, se você está fora de alguma dessas caracterizações, consequentemente faz parte de um grupo minoritário. Assim, tanto a mulher, o negro, homossexuais, indígenas, analfabetos, entre tantos outros, são entendidos por minorias.

Podemos utilizar como exemplo dados da pesquisa “Panorama Mulher 2017: a presença das mulheres na liderança das empresas”, realizada pela Talenses em parceria com o Insper, para entendermos o que foi dito acima. Apesar das mulheres estarem ganhando seu espaço no mercado de trabalho, apenas 8% das empresas brasileiras são presididas por elas, e somente 21% da população feminina ocupa cargos de diretoria. Seguindo nesta linha de raciocínio, dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), publicados em Novembro de 2016, relataram que os negros ocupam um número menor de cargos executivos e de chefia, além de ganharem em média, 30% menos que os demais.

Em vários aspectos a maioria populacional é minoria em privilégios, mas também é possível observar minorias nos dois lados. Um exemplo são os
homossexuais, que pertencem a um grupo menor numericamente e são tratados de forma preconceituosa e criminosa diversas vezes. Segundo o último balanço da ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais), o Brasil ocupa o primeiro lugar em homicídios de LGBTs em toda América, com 340 mortes por homofobia em 2016. Além disso, apenas no primeiro quadrimestre de 2017, 117 homossexuais foram assassinados por descriminação de gênero, conforme pesquisa feita pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). Outro exemplo é a taxa de analfabetismo no Brasil, que segundo dados da PNAD de 2016, totaliza 7.2% da população a partir dos 15 anos. São cidadãos em sua maioria de classe média baixa, que não conseguem interpretar aquilo que leem, assim, passam por uma dificuldade ainda maior de se encaixar no mercado de trabalho e no convívio em sociedade.

Como visto ao longo do texto, um grupo pode ser numericamente superior, mas ser minoria em determinado contexto social. Assim, apesar das várias conquistas obtidas nos últimos anos, referentes à inclusão social, combate à discriminação, etc. Ainda é muito grande o número de pessoas, como os expostos acima, que lutam diariamente por igualdade de direitos e de oportunidades.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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