Pelo fim da violência contra a mulher!

Foto: Gabrielly Coelho
Foto: Gabrielly Coelho

Aconteceu em Belo Horizonte, nessa quarta-feira (01), uma manifestação contra a cultura do estupro. A concentração começou por volta das 17h30, na Praça Sete de Setembro, no centro da capital mineira. Mulheres se mobilizaram para dar apoio a jovem de 16 anos, vítima do estupro coletivo no Rio de Janeiro. Segundo os organizadores, haviam 3 mil pessoas na manifestação.

O protesto seguiu na Avenida Afonso Pena, com a presença de um carro de som. Os estudantes Guilherme Otoni e Luisa Gois, compareceram no ato, pacífico, e demonstraram indignação com a quantidade de mulheres violentadas no país. De acordo com estatística recolhida pela FBSP, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil.

Grupos feministas manifestaram em apoio às mulheres vítimas de violência com cartazes. Foto: Gabrielly Coelho
Grupos feministas manifestaram em apoio às mulheres vítimas de violência com cartazes. Foto: Gabrielly Coelho

“A cultura do estupro é um negócio que está institucionalizado, ou seja, é um trabalho muito difícil que requer muita melhoria nas leis pra gente poder construir uma cultura na qual a mulher pode ser livre para fazer o que quiser, sem ter que ter preconceito e opressão pela sociedade”, contou Guilherme, de 18 anos, ao jornal Voz da Comunidade. O jovem também afirmou que o principal objetivo das manifestações em Belo Horizonte, é mostrar que a juventude está ciente dos acontecimentos e que estão preparados para fazer mudanças.

A jovem Luisa Gois, quando questionada sobre o ocorrido no Rio de Janeiro, ressalta sua opinião como mulher e afirma que o ‘não’ das mulheres deve ser respeitado, todas tem o direito a liberdade. Segundo a estudante, o primeiro passo para dar fim a cultura do estupro, é reconhecer que ela existe. “A questão não é a roupa. A roupa não deve ser um critério a ser observado, acredito que as mulheres devem ter a liberdade de vestir o que quiser, independente de qualquer coisa”, concluiu.

Os estudantes Guilherme Otoni e Luisa Gois. Foto: Gabrielly Coelho
Os estudantes Guilherme Otoni e Luisa Gois. Foto: Gabrielly Coelho

Textos, músicas, grupos feministas e a presença de uma mãe que teve sua filha violentada no início do ano, marcaram o protesto. A cantora mineira Aline Calixto, também compareceu dando seu apoio aos milhares de manifestantes. As mulheres negras do país e a presidente afastada de seu cargo, Dilma Rousseff, foram citadas na manifestação como mulheres de luta e resistentes.

“A educação é a base da cultura de cada um, a partir do momento que a gente muda a educação, começamos a influenciar gerações futuras para começar a tirar essa cultura. É um longo prazo, você não pode achar que da noite pro dia a cultura do estupro vai ser acabar. A partir do momento que você começa a investir na educação, que é uma coisa que está faltando no Brasil, começa a melhorar. Tem que mudar a base, pois no futuro os casos podem ser menores”, afirmou Guilherme Otoni.

Os manifestantes seguiram na Avenida João Pinheiro em direção a Praça da Liberdade, onde todos deram as mãos e cantaram a canção ‘Maria Maria’ de Milton Nascimento, em homenagem às mulheres do país. O protesto encerrou às 20h30, na região centro-sul da Grande BH.

Mulheres pedem o fim do machismo, colocando cartaz na grade da Praça da Liberdade. Foto: Gabrielly Coelho
Mulheres pedem o fim do machismo, colocando cartaz na grade da Praça da Liberdade. Foto: Gabrielly Coelho

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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