Segue o baile – #Opinião

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Contemplando tempos que podemos perceber um certo silêncio político frente a inúmeros escândalos e tendo o presidente mais impopular visto nos últimos anos, encontramos em uma cortina de fumaça que persiste em não passar. Ela embaça o futuro e faz com que sejamos receosos no presente, sem ter direcionamento e uma rachadura que impossibilita o diálogo entre as correntes populares. Neste momento é comum a manifestação de algumas insatisfações por parte da população, mas isso também se encontra dentro de
​sse grande pacote de incerteza.


Tramitando no Senado uma proposta de criminalização do funk, ritmo com origem periférica e que tem forte apelo social nas comunidades, vem sendo alvo dessa proposta, sob risco de ser “proibido” nacionalmente, algo já visto em outros tempos com o samba que por sua vez é um grande patrimônio musical nacional.

Essa proposta foi feita por Marcelo Alonso, um webdesigner de 47 anos, morador de um bairro da zona norte de São Paulo, contando com mais de 20 mil assinaturas para aprovação.

Trecho da proposta retirado do site BBC Brasil: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40598774

“É fato e de conhecimento dos brasileiros, difundido inclusive por diversos veículos de comunicação de mídia e internet com conteúdos podre (sic) alertando a população o poder público do crime contra a criança, o menor adolescente e a família. Crime de saúde pública desta ‘falsa cultura’ denominada funk”.
Partindo do princípio que o ritmo é a demonstração do que ocorre nas comunidades relatando muitas vezes assuntos do cotidiano, ainda hoje é atrelado ao preconceito racial e a falta de informação de quem se opõe apenas pela banalidade das letras sem conhecer realmente a realidade das comunidades brasileiras.

Será esse um desconhecimento do povo com os indivíduos que compõe a sociedade de modo geral sendo manifestado? Será isso efeito colateral do racismo disfarçado no país?
Preocupa não apenas o ato de inibir uma cultura periférica e teoricamente menor, no escanteio, mas também as questões que podem estar atreladas a ela e a intolerância é algo que estamos encarando todos os dias, talvez pela ausência de esperança e busca de soluções rápidas isso tenha ficado acirrado demais.

Com o gesto de proibição e consequente criminalização perdemos a grande oportunidade de libertar preceitos e compreender onde estamos inseridos e o que realmente queremos não apenas para uma parcela que não se identifica, mas abrimos o diálogo para entender o que é mais importante, as pessoas, que se motivam e emprestam suas vozes a contar um cotidiano entre mazelas e sorrisos que segue perseguido.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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