Um livro na mão e mil ideias na cabeça

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Jovem lança o primeiro livro e planeja incentivar novos leitores na comunidade

O jovem Lorhan da Silva Rocha, de 19 anos, quis e conseguiu: terá seu primeiro livro publicado de forma independente nos próximos meses. Desde criança se interessou pela literatura, e lembra que foi em “Viagem ao Centro da Terra”, de Júlio Verne, que definitivamente acreditou que a partir dos livros, mundos novos poderiam ser abertos.

E essas novas oportunidades já estão surgindo para Lorhan. Ele se interessou tanto pela leitura que começou a escrever o próprio livro, intitulado “Para Recordar”. O enredo transcorre em terras americanas e conta a relação de três amigos: Lunna, uma garota com muitos receios, o brincalhão Brand, e Colin, que é o mais inseguro e guarda alguns mistérios que só lendo a história poderemos desvendar.

Ransom Riggs, autor da trilogia das “Crianças Peculiares”, é uma inspiração para Lorhan. A forma como Riggs detalha os sentimentos dos personagens e descreve os cenários é, sem dúvida, uma das principais razões para tanta admiração. Mas não para por aí: coincidentemente, o autor de “Crianças Peculiares” também começou há pouco tempo, e no início nem se imaginava escrevendo um livro, o que serviu como uma força motriz para Lorhan acreditar no seu sonho de publicar uma obra e, com isso, partilhar boas histórias para outras pessoas também.

Lorhan na comunidade da Formiga, local de inspiração para suas histórias - Foto: Rodrigo Chadí/Voz das Comunidades
Lorhan na comunidade da Formiga, local de inspiração para suas histórias – Foto: Rodrigo Chadí/Voz das Comunidades

Para conhecidos, amigos e familiares, Lorhan indica boas sugestões de leituras, como os poemas de Vinicius de Moraes. Ele acredita que, apesar de poucas pessoas hoje terem o hábito de ler um livro, a prática pode e deve ser estimulada. O jovem autor acredita que, independentemente do modo como a leitura alcance as pessoas, o mais importante é que o hábito esteja no cotidiano de todos nós, e não só de alguns. Hoje existem muitos livros digitais, e até mesmo através de um celular é possível fazer a leitura. Para Lorhan, as pessoas acham que todo mundo que está com um livro na mão dentro do ônibus (por exemplo) é alguém intelectual só por causa disso, mas não é; a leitura deve ser entendida como uma prática simples e ao alcance de todos.

E foi com a ideia de disseminar a literatura que Lorhan criou um canal no YouTube – o ‘Lorhan TV’. Através dessa ferramenta, ele poderá contar um pouco dos processos de criação dos seus textos para outros jovens que também possuem o mesmo interesse, além de fazer resenhas críticas de outras obras que ele tenha gostado de ler. Os jovens passam muito tempo na rede, então por que não abordar a literatura por lá também? A leitura pode ser a principal forma de melhorar a qualidade da educação, construir um país mais justo e com desenvolvimento humano.

Lorhan almeja cursar Letras e pretende con nuar a escrever seus textos. Um próximo livro que seja ambientado na comunidade da Formiga, onde nasceu e ainda vive, também está nos planos. Ele enxerga uma oportunidade de mostrar, a partir de sua experiência e entusiasmo pela literatura, as oportunidades que surgem à medida que se dá valor aos livros. Especialmente aos jovens moradores de comunidades.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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