Viva a vida!

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De acordo com Durkheim (1982) o suicídio é tido como um ato intencional de matar a si mesmo. Sua causa pode se dar por diversos motivos como, por exemplo, crises familiares ou individual, doenças mentais como a esquizofrenia, e também a bipolaridade; fatores socioeconômicos como hoje o alto índice de desemprego gerando a falta de oportunidades levando pais de família a dar cabo de sua própria vida, devido à perda de sua dignidade dada a incapacidade de levar não só o pão de cada dia para seu lar doce lar, mas, demais condições básicas que todo ser humano necessita. Logo, transtornos mentais e/ou psicológicos, o uso abusivo de drogas, alcoolismo sendo seu componente uma droga lícita e por que não a depressão, sendo essa – infelizmente – a doença do século colabora para que o indivíduo tenha a ideação suicida.

Segundo Werlang (2000), a impossibilidade de uma pessoa em identificar e até mesmo buscar alternativas e, soluções para suas questões, está associada ao comportamento suicida onde nesse momento de total ineficácia, o mesmo pode dar cabo de sua vida! Por conta de conflitos opta, pela morte como solução a fuga de sua dor dada a conflitos internos jamais compartilhados. Para o suicida, o ato de se matar vale para minimizar a dor e o sofrimento pois para ele, o morrer torna-se menos dolorido que o viver.

Do Latim Depressio que significa “apertar firmemente” e também “pressionar para baixo”, a depressão é tida como transtorno de humor e suas causas nem sempre são claras. De acordo com dados da OMS (2017), mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão onde 5,8% são os brasileiros – aumento de 20% na última década. Esses dados dizem que até 2020 a depressão levará pessoas a viver e também morrer desse mal: a depressão. Na América Latina, o Brasil ganha sendo o maior país com índice de pessoas depressivas, fator de risco para suicídios ficando atrás somente dos EUA com 5,9% de depressivos confirma dados. Algo bem atual em nossa sociedade também, é a depressão silenciosa que funciona através da autorregulação; a pessoa regula a si mesma sem interferência externa e, consegue executar o básico do básico como, por exemplo, trabalhar, estudar entre algumas outras atividades que sejam de acordo sua necessidade. O fato de estar em movimento, não anula o fato da pessoa estar em um quadro depressivo.

A depressão quando não tratada, pode sim ser um trampolim para o suicídio que, a cada 45 segundos pelo menos um acontece. O suicídio acaba sendo multicausal originando-se por vários motivos e origens. Nada mais é do que um duelo entre o assassino e o assassinato sendo uma mesma pessoa exercendo função dupla, entre elas a escolha pela vida e pela morte, onde em alguns casos a segunda opção é a que ganha. Para a pessoa que se encontra em conflito, o ato de suicidar-se é equivalente a uma fuga. Alguns acreditam o suicida ser covarde por tirar a própria vida; acreditam que a vida é sagrada sendo essa pessoa pecadora pôr a ter tirado. A verdade é que o interior de cada um, é um mundo particular: ninguém é capaz de saber o que acontece lá dentro! O papel não só do psicoterapeuta, mas também da família, é estarem atentos aos fatores de risco pois de certa forma o suicida evidencia sinais.

De acordo com Perls, Hefferline e Goodman (1997, p. 89) “o objetivo da terapia é superar a solidão, restaurar a autoestima e realizar a comunicação sintáxica”. Faz-se necessário aprender a tolerar, a observar e a respeitar a falta de sentido de vida dos clientes, pois, conforme afirmação de Perls (1979), “fatos observados se transformam ao serem observados” (p. 231). Assim o psicoterapeuta pode – e deve – sair de uma posição elitizada disponibilizando-se para se aproximar de seu cliente, a pessoa depressiva com ideação suicida e assim, intervir a fim de que o cliente reconheça seu potencial e amplie sua maneira de enfrentamento para com o sofrimento vivido; assim essa relação terapêutica presa pelo cuidado para com o desespero existencial da pessoa em questão.

A verdade é a seguinte: não só em minha opinião mas, de toda comunidade psi, depressão não é doença de “gente rica” como dizem por aí a bastante tempo. Outra coisa, nem tão pouco “é uma frescura”. Todos nós estamos vulneráveis a sofrer com ela até mesmo porque aquele (a) que vive com alguém que se encontra em estado depressivo, tende ao adoecimento. Alguns dizem que “quem quer faz e não fala”; jamais duvide de alguém que diz querer e que, vai se matar! Acolha, encaminhe e acompanhe!

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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