Voz 15 Anos: Ex-voluntários contam como suas vidas mudaram através do Voz das Comunidades

Neste 15 anos de existência o Voz das Comunidades vem mudando a realidades e dando oportunidades a muitos moradores, conheça a história de algumas destas pessoas

Voz 15 Anos: Ex-voluntários contam como suas vidas mudaram através do Voz das Comunidades

Hoje, dia 15 de agosto, o Voz das Comunidades completa 15 anos de existência. Para falar sobre essa marca especial, ex-jornalistas/ voluntários, relatam com carinho sobre os anos em que estiveram integrando o Voz e compartilham as experiências vividas.

Em agosto de 2005, duas crianças moradoras do Morro do Adeus, zona norte da cidade do Rio, criaram um jornal comunitário com o objetivo de levar a conhecimento público os problemas que vivenciados dentro de uma favela. Quinze anos depois, o pequeno jornal se tornou um dos grandes veículos de comunicação do país e reconhecido pelo mundo. 

Como o Voz das Comunidades tranformou uma trajetória

No decorrer de todos esses anos, diversas pessoas fizeram parte desta história e tiveram suas vidas transformadas pelo Voz, não só profissionalmente, mas também pessoal. Devido a isso, nessa data comemorativa, elas contam como foi essa trajetória.

O fotógrafo Betinho Casas Novas, de 30 anos, atualmente fundador da BCN News, aos 15 anos de idade foi um dos primeiros integrantes do Voz das Comunidades. 

Betinho Casas Novas

“Poder passar isso para mim foi uma das coisas mais importantes da minha vida, senão a maior. O Voz das Comunidades me mostrou uma fase que eu não tinha vivido até aquele momento. Uma vida social, que é amar e se doar ao próximo, e isso eu aprendi durante esses anos que eu estive contribuindo. Ser fotógrafo não era de uma vocação de um menino. Naquela época o Voz foi esse divisor de águas, que me mostrou que eu poderia sim ser aquilo que queria. O jornalista que sou hoje, especialista em cobertura de conflitos urbanos, premiado, conhecido nacionalmente e mundialmente, é graças a Voz das Comunidades. Mesmo sendo segregado, marginalizado, tendo aqueles poucos recursos, você pode ser o que você quer, e o Voz te mostra como se faz isso”.

Laços que são construídos pelo Voz

O Voz, muito mais que essa projeção profissional na vida do comunicador periférico, é constituído também por laços afetivos com a favela e os trabalhos sociais relacionados com o jornalismo.

A analista de redes sociais, Luana Melo, de 28 anos, fez parte do Voz das Comunidades entre os anos de 2012 a 2018, e compartilhou sobre sua experiência de conhecer o projeto e posteriormente fazer parte. 

Luana Melo

“Eu conheci o Voz através do Renê, estudávamos no mesmo colégio, um dia ele estava distribuindo o jornal impresso na minha sala, então aquilo para mim já foi uma surpresa. Um menino da mesma escola que eu, já tava fazendo um jornal, mesmo bem pequeno, era muito representativo e aquilo ali mexeu comigo de alguma forma. Saber que eu posso contar com as pessoas do Voz das Comunidades a qualquer momento é maravilhoso. Fiz amigos e Voz é uma grande família, me encontrei como pessoa e me encontrei como profissional” 

O que esperam para o futuro

Maria Morganti

Maria Morganti de 28 anos, foi Chefe de Redação do Voz  das Comunidades e atuou entre os anos de 2017 e 2018. Atualmente, produtora de reportagem da editoria Rio da TV Globo, Maria falou o que espera do Voz para o futuro. “O Voz das Comunidades mudou a minha vida profissional, tive muitas oportunidades graças ao Voz, de realizar grandes reportagens que me marcaram muito. E vejo o Voz como uma grande potência jornalística de reportagem comunitária, em essência. Que é daquilo ali de pequenos locais, para pessoas de fora conhecerem a realidade da favela”. 

Camille Ramos, de 28 anos, hoje é Produtora de Conteúdo e integrou a equipe do Voz das Comunidades entre 2016 e 2018. E também expressou o que espera para o futuro. “Vejo um trabalho em constante evolução e expansão. Um trabalho que é fundamental para a melhoria da vida dentro de favela, que deixou muitos frutos e vem plantando outros ainda melhores. Eu sou muito fã da organização e de tudo o que ela representa pra mim e pro lugar onde cresci”.

Camille Ramos

Camille sempre morou próximo ao Complexo do Alemão e quando se formou em jornalismo se aproximou do trabalho do Voz através do voluntariado. E partir disso, teve um outro relacionamento com a favela, pôde conhecer a favela por dentro, pondo o seu trabalho à disposição da vida das de moradores. 

O trabalho do Voz também é esse, de furar a bolha de preconceito e estigmas que circulam a realidade das favelas. E assim também mostrar que o seu povo pode ir além do que está a sua volta.