“O Rio de Janeiro vai dar certo de novo, começando por aqui”, destaca Wellington Cardoso, o gestor do Cinema do Alemão

De gerente do CineCarioca Nova Brasília a empresário operacional do cinema popular do Complexo do Alemão

Foto: Vilma Ribeiro/Voz das ComunidadesFoto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades.

De forma contínua e como um roteiro de filme, a vida encarregou-se de conectar a trajetória profissional de Wellington Cardoso, de 39 anos, com a sua paixão por cultura e pelo sentimento de carinho que sente pela comunidade Nova Brasília, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro. Morador da região desde jovem, ele agarrou a missão de cultivar a produção e o incentivo artístico local através do sétimo pilar da arte do mundo moderno: cinema.

Há mais de uma década à frente do Cine Carioca Nova Brasília, um cinema popular no Alemão, Wellington esteve presente desde a inauguração do espaço, em 2010, ao fechamento em dezembro de 2019, pela iminente chegada do coronavírus nas comunidades cariocas. E, agora, convive com a expectativa de reabertura, que está prevista para o próximo dia 17. De lá para cá, presenciou muitas histórias marcantes no “cineminha do povo”, como define.

“Esse um ano e meio de casa parada doeu bastante em mim e nos moradores do Complexo do Alemão. Aqui, é um espaço onde o pessoal sobe ou desce o morro para assistir os melhores filmes em cartaz. Em 2010, na primeira gestão do prefeito Eduardo Paes, eu inaugurei como gerente de cinema após sair da área que atuava, que era no setor bancário, e peguei toda a transformação cultural e social que o mundo cinematográfico trouxe pra cá. Quando saí, em 2018, e logo após o espaço fechou as portas pelo coronavírus, os moradores daqui me viam e pediam o retorno do cineminha. Agora, sou empresário operacional e estou ansioso pela reabertura”, comenta Wellington.

Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades.
Presente desde a inauguração do Cine Carioca Nova Brasília, Wellington destaca a importância do retorno das atividades para a comunidade. Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades

Conectado com as atividades sociais do Complexo do Alemão, Wellington também construiu raízes com o Vidançar — ação social que disponibiliza aulas de balé clássico, contemporâneo e passinho para mais de 150 crianças da comunidade — através da sua iniciativa Surf no Alemão, um projeto que leva os jovens para praias do Rio de Janeiro para praticarem o esporte e conhecer outras culturas cariocas. Com o sorriso de quem sabe a importância de estar presente no desenvolvimento da garotada, ele relembra que aconselhou um dos seus alunos surfistas a ingressar no mundo da dança: Luis Fernando, que hoje é bailarino da Companhia Tivoli Ballet Skole, na Dinamarca.

“Eu sempre fui muito ligado ao lado social e contei com o apoio da minha esposa, a Graça, nessa caminhada. No cinema, por exemplo, ela percebeu que o Cine Carioca tinha se tornado uma parte minha. Por isso, quero mostrar que aqui dentro existem empreendedores, pessoas do bem, que querem novas oportunidades e de mostrar o poder cultural do Alemão. Lembro que o Luis praticava surf comigo, mas sempre teve essa curiosidade pela dança, mas tinha receio do que o pessoal do morro ia achar. Incentivei ele a dançar. Hoje, ele mora na Dinamarca”, destaca.

Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades.
O Cine Carioca Nova Brasília tem previsão de retorno para o dia 17 de outubro.



Nessa nova gestão, que está prevista para iniciar os trabalhos no próximo dia 17, o Cine Carioca também possui a intenção é dar oportunidades para os cineastas locais de transmitirem os seus documentários, filmes e produções audiovisuais no espaço, pois Wellington acredita que a potência comunitária pode transformar o mundo. O funcionamento do cinema continua nos moldes antigos, de terça-feira a domingo, das 14h às 22h, com a abertura da bilheteria às 13h. Além disso, o preço é popular, 5 reais para os moradores e 10 a inteira. Através da Secretaria de Governo e Integridade Pública da Prefeitura do Rio (Segovi), em parceria com a RioFilme, o espaço recebeu obras para aperfeiçoar as estruturas.

“É mais um sonho se tornando realidade, o Rio de Janeiro vai dar certo de novo, começando por aqui”, finaliza.