Muito mais que barba, cabelo e bigode: “Cool Barber Shop” no Complexo da Maré

Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades

Com três unidades, rede é referência no ramo de beleza masculina

Essa história de que cuidar da beleza é coisa de mulher não tem vez quando se entra em uma “Cool Barber Shop”. A unidade do Parque União, no complexo de favelas da Maré, primeira da rede que já inaugurou outras duas lojas – Pinheiro, também na Maré, e Tijuca –  tem clientes fiéis com frequência semanal. “Tem cliente que vem aqui cortar o cabelo e volta para fazer a unha depois”, conta Ghustavo Gonçalves, barbeiro que integra o time de nove funcionários liderados por Clayton Guimarães, idealizador do empreendimento que nasceu em 2015.

Como o nome em inglês já sugere, o espaço é barbearia e loja ao mesmo tempo. Além de oferecer os serviços comuns de corte, vende bonés, roupas, óculos escuros, tênis, pulseiras, além de produtos estéticos – tudo para a beleza do homem. A decoração merece destaque. Com uma pegada retrô, tem reprodução de placas de carro penduradas na parede, quadros de pontos turísticos do mundo e miniaturas de motos. O sofá de espera e até a própria cadeira de barbear dão o clima final.

Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades

Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades

Toda a ideia foi de Clayton, que começou a cortar cabelo com 13 anos, quando o irmão mais velho começou a trabalhar e comprou uma máquina. Dois anos depois já estava dominando a prática. O empresário conta que a sua maior motivação foi a necessidade, por ser muito vaidoso. “Eu chorava de soluçar porque minha mãe fazia caminhos de rato na minha cabeça e na do meu irmão. Eu cortava tanto cabelo, tanto, do meu irmão e dos amigos, que acabei saindo do básico e até comecei a arriscar uns cortes mais ousados. E foi dando certo”. Na laje de casa, depois de seis anos cortando o cabelo de muita gente de graça, começou a cobrar R$ 2 por serviço. Antes foi ajudante de obra e animador de festas.

Em 2002 fez um curso profissionalizante para cabeleireiro, mas só em 2003 o barbeiro ficou mais perto de ser o empresário que hoje já atendeu clientes como os cantores Ferrugem e Dilsinho. Depois de uma passagem pelo exército, agência de automóveis e academia, todas paralelas ao serviço de corte realizado no andar de cima da casa, viu que já dava para viver só do seu talento. Pegou dinheiro emprestado com a tia e comprou o material básico para atender as pessoas. “Não era nada, mas à medida que o dinheiro foi entrando, fiz uma obra e levantei as paredes da laje. Fiz um salão pequenininho e foi quando tudo começou a bombar. Tinha dias em que eu ficava 16 horas por dia cortando cabelo sozinho”.

Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades

Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades

Até 2011 a rotina foi assim. O volume do trabalho deu retorno financeiro suficiente para o jovem realizar o sonho da casa própria e até uma troca de carro. No entanto, o preço foi o cansaço e a exaustão. “Como não era uma loja, era um salão em casa, as pessoas iam em qualquer dia e hora pedindo para cortar o cabelo. Havia domingos em que batiam na minha porta às oito horas da manhã. Acabei ficando muito desgastado e mal psicologicamente”. Foi aí que ele decidiu procurar outro caminho. Pensando em abandonar a tesoura, a irmã mais nova sugeriu que se inscrevesse no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para surpresa do próprio candidato, foi aprovado com nota boa. Começou a cursar pedagogia na FAETEC.

No meio da faculdade, em 2014, achou que devia tomar uma decisão. Continuar cortando cabelo ou investir na graduação? Clayton não abandonou a faculdade, que concluiu no ano passado, mas começou a pensar e pesquisar o conceito de barber shop. Muito presente nos Estados Unidos, mas sem manifestação por aqui até então. “Eu vi que era o que eu já fazia, mas melhorado. Juntei dinheiro e decidi que precisava de outro lugar para transformar meu sonho em realidade”. Em 2015 abria a primeira “Cool Barbearia”, na Rua Ari Leão 30. Clayton tinha certeza de que tudo ia dar certo – e deu. “Foi o maior sucesso quando lançamos. Tinha gente que parava na porta da barbearia só para olhar”. A ideia de Clayton agora é vender franquias da Cool e fazer um projeto de formação de barbeiros para jovens. “Sou um empreendedor social” – finaliza.

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