Foto: Renato Moura / Voz das Comunidades

A pandemia afetou muitos estudantes que querem ingressar na universidade este ano, já que as aulas presenciais foram suspensas e afetaram o cronograma das instituições de ensino. Além disso, as aulas por plataformas digitais se tornaram frequentes, mas nem todos os estudantes têm acesso à internet ou equipamentos necessários para participar.

A notícia de que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 está mantido gerou polêmica, visto que o novo coronavírus também interferiu, dentre outras coisas, a data das Olimpíadas e até o maior vestibular do mundo, o ‘gaokao’, prova que é chinesa, e deveria ocorrer no início de junho. Entretanto, foi atrasada este ano, a fim de evitar a propagação da doença.

Além da disseminação do vírus ser um problema, no Brasil, como o calendário de estudos foi prejudicado, muitos professores e vestibulandos também se colocaram contra a manutenção da data da prova – lembrando que desde março as aulas presenciais foram suspensas -. Por isso, escolas e cursos tiveram que se reorganizar apressadamente para ministrar aulas à distância.

No entanto, alunos de classe média baixa, principalmente, tiveram problemas com as aulas em formato online, já que para participar é preciso ter internet de qualidade e equipamentos, como computador ou celular. Além disso, é preciso aprender a estudar em casa, sem o contato direto professor, aluno. 

Os alunos do Colégio Estadual Olga Benário Prestes, em Bonsucesso, estão tendo aulas pelo aplicativo “Sala de Aula” do Google, desde que o isolamento social passou a ser usado como medida de prevenção ao coronavírus. Porém, o novo formato das aulas não agradou aos estudantes. 

“Na minha turma ninguém se adaptou bem às aulas pelo aplicativo, não estamos aprendendo só em ler os conteúdos e eu acho esse novo sistema é injusto, já que tem gente que não tem computador, tem que estudar tudo só pelo celular”, afirmou a aluna do último ano, Eliza Silva, do C.E Olga Benário Prestes.

Excluídos

No UniFavela, pré-vestibular social da Maré, as aulas presenciais deixaram de ocorrer no final de março e só em abril os conteúdos passaram a ser enviados pela web. Contudo, a diretoria da instituição notou que não houve uma boa adesão às aulas virtuais pelos alunos. Desta maneira, uma pesquisa foi realizada para entender os motivos da baixa adesão e 32 alunos do projeto responderam ter dificuldade de continuar acessando os conteúdos, por motivos diversos, tais como: equipamento deficitário, internet de baixa qualidade e problemas como a falta de um lugar reservado em casa para estudar.

Já no pré vestibular Movimento de Educação Popular +Nós, que têm uma turma no Complexo do Alemão e outras ao redor do estado os professores tentaram dar aulas por lives, para que houvesse o mínimo de interação entre aluno e professor. Porém, a maior parte dos estudantes tinha dificuldade de acessar esses conteúdos, por precisar de internet de qualidade. Por isso, o pré-vestibular tem priorizado o envio de documentos, mesmo sabendo não ser o ideal. Para Maiara Oliveira, aluna do “+Nós”, a maior dificuldade tem sido não ter o espaço do curso para estudar, mesmo fora do horário de aula.

 “aqui em casa não tem um cômodo para ficar sozinha em silêncio, o que torna muito difícil eu conseguir  me concentrar.”

DICIONÁRIO:

Propagação Ato de tornar conhecido por um grande número de pessoas; divulgação.

Apressadamente De modo apressado; em que há pressa ou precipitação: ela precisava sair apressadamente.

Isolamento Ação ou efeito de isolar, de separar dos demais; separação.

Deficitário Cujo saldo é negativo; que contém ou pode provocar déficit: economia deficitária. Economia. O que falta para alcançar.

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