OPINIÃO – Quem ama educa!

Em 15 de Outubro de 1827, D. Pedro I decretou que todas as cidades tivessem suas escolas e assim ficou marcada essa data em comemoração ao dia do Professor. Em 1549, de forma tradicional, surgiu a primeira Escola através dos Jesuítas – Padres da Cia de Jesus; esse modelo de Escola permaneceu por trezentos e oitenta e três anos – Ufa! –, já no Governo de Getúlio Vargas, deu início a Escola Nova tendo o Professor como um facilitador onde o aluno participava de forma ativa para com o processo ensino/aprendizagem em um modelo de Escola Democrática. De lá para cá, em 1964 – ano do golpe – surgiu o modelo de Escola Tecnicista onde o mesmo aluno antes democrata, agora era impedido por exemplo de expressar seus pensamentos, e colocar em prática sua criatividade dando forma a sua #opinião – essa foi a época em que os Militares estavam à frente do Governo e com isso o social foi por água a baixo ficando em evidência a não exposição da criatividade e, subjetividade de diversos sujeitos – e querem que essa época volte!

Já em 1983 aparece em nosso cenário a Escola Crítica onde o Professor era o Educador que contornava o processo de aprendizagem através da interação desse aluno o ressignificando de fato como Cidadão. Ficou em xeque a relação dialógica entre aluno e o Professor frente a tecnologia que chegou chegando, e a cada dia avança um pouco mais. O uso equivocado desta colaborou para a alienação resultando no esfriamento da relação – em diversos sentidos contribuindo também para a exclusão do sujeito quando na verdade através da LDB 9394/96 trabalha-se afinco para um movimento de inclusão sendo uma garantia de direitos a todo e qualquer sujeito inserido não só no espaço escola, mas, em diversos espaços da sociedade. E assim o afeto, o respeito, a admiração por esse que transmite o saber infelizmente já não existe em sua totalidade.

O papel desse que transmite o saber, é fundamental, na verdade insubstituível pois todos os profissionais das diversas áreas existentes, passaram antes por uma sala de aula, por um Professor. E qual a menina por exemplo que não se apaixonou pelo seu levando presentinhos e até mesmo cartinhas de amor? Quem foi que não teve afinidade identificando-se com aquele de uma matéria preferida por exemplo!? Para com a figura do Professor, a relação torna se ambivalente quando o sentimento vai do amor ao ódio e por que não tristeza e felicidade? No último dia 22 de agosto a Educação ficou triste pelo ocorrido com a professora Marcia Friggi de Indaial Santa Catarina que, denunciou em sua rede social a agressão sofrida por um aluno de apenas 15 anos de idade. Em seu relato diz que solicitou ao mesmo pôr o livro sobre a mesa tendo sido agredida primeiramente de forma verbal.
Já na sala da direção, o mesmo negou a ofensa e assim foi agredida fisicamente com um soco em seu olho direto, lhe abrindo o supercílio ficando inchada, com hematoma e sangramento no nariz. A mesma diz: “Estou dilacerada por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros.
Estamos, há anos, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos”. A Lei Maria da Penha de nº 11.340/06 sancionada em 07 de agosto de 2006, pelo Presidente da República entrou em vigor no dia 22 de setembro de 2006, garantindo direitos às mulheres vítimas de diversos tipos de violência indo da doméstica até mesmo a física, moral, patrimonial, sexual e psicológica.

Vera Lúcia Nascimento Moreira (2009) relata a violência psicológica ser marcada não só por atos de humilhação mas ameaça, isolamento, críticas, intimidação, etc. Esse tipo de violência pode gerar danos à autoestima da mulher levando-a desde ao adoecimento de origem psicossomática até mesmo ao suicídio. Coragem dessa Professora em colocar a boca no trombone em prol de apenas uma questão: a garantia de seus direitos quanto cidadã. Por outro lado, segundo fontes, o agressor de 15 anos de idade está em cumprimento de internação provisória em um Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório (CASEP) – órgão de cumprimento de medidas socioeducativas para adolescentes em conflito com a Lei – nesses 45 adias após a denúncia até que a Justiça emita a sentença final por injúria e lesão corporal; o caso está sendo acompanhado pela juíza Horacy Benta de Souza Baby que colhe novos depoimentos do adolescente e sua mãe. A promotora da infância e Juventude de Indaial Patrícia Dagostin Tramontin solicitou a internação do adolescente que no ano passado cumpriu trabalhos comunitários no período de um mês por ter agredido um colega também, em sala de aula; na ocasião agrediu sua mãe e ameaçou um funcionário do Conselho Tutelar.

Acordo Içami Tiba (2007) “quem ama educa”. Mas, qual o papel dos pais na educação de seus filhos, se a mesma vem – ou deveria vir – de casa? Em minha opinião de fato, a educação dos filhos está nas mãos do pai, e esse é o desafio do terceiro milênio quando na verdade os próprios por mil e alguns motivos, com ou sem tanta ou nenhuma necessidade apenas terceirizam a educação ao transmitir essa responsabilidade que lhes cabe para diversas instituições sendo a Igreja, o clube frequentado, a casa de coleguinhas e por que não aos avós? De verdade, a primeira instituição que a criança se insere é a família ´podendo ser essa um desafio positivo ou negativo para essa nova pessoa. Se o casal possui entendimento da forma a qual a educação será transmitida a seus filhos, essa transmissão de princípios e valores acontecerá instantaneamente. Algumas crianças vivem de forma precoce e individualizadas frente a urgência e a falta de tempo que chegou na sociedade, no mercado de trabalho logo, nas casas. Assim queimam etapas importantes em seu desenvolvimento quanto pessoa. Vivem ao deus dará buscando formas de sobrevivência e dizem por aí que “a escola da vida ensina”. Na ausência de quem deveria digamos ser e agir como exemplo, qual o modelo de família que temos hoje? Pense!

Esta coluna é de responsabilidade de seus autores e nenhuma opinião se refere à deste jornal.

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