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OPINIÃO – O quanto nos querem livres?

02 de Dezembro é a data do Dia Internacional para a Abolição da Escravatura
Foto: Bruno Itan
Foto: Bruno Itan

Por: Vini Machado para o projeto Vozes em Pauta do Voz das Comunidades

Era um pequeno quarto, sem janelas, nenhuma ventilação, cheiro de mofo e um colchão muito fino. Este é o cenário recorrente para os mais de 1,5 mil brasileiros que, ainda em outubro deste ano, foram resgatados em condições de trabalho análogo à escravidão. Não há liberdade quando nossos corpos permanecem presos nas formas contemporâneas de exploração.

Nossa liberdade no papel chegou em maio de 1888, após quase 400 anos de escravidão. Temos agora pouco mais de 130 anos de liberdade que, na prática, resultaram em mudanças lentas e conquistadas com muita luta. Nos mobilizamos a todo o momento para fazer com que nossas pautas sejam ouvidas, mesmo que, em muitos casos, estejamos sempre sendo inviabilizados.

O último mês, o novembro negro, é um exemplo de como nossas dores são projetadas para se fazer valer a premissa da nossa salvação. As nossas cicatrizes, como diz o Emicida na música “Amarelo”, deviam ser figurantes, já que tanta dor rouba a nossa voz, porém, parece que só isso nos resta de fato. Quando não, essas mesmas dores viram a oportunidade de sermos salvos por alguém que não os nossos. Suponho que seja por isso que no último mês falamos pouco em alguns espaços.

Ainda há muito dessa nossa história, muitas vezes pouco lembrada, que se repete e não por ignorância, mas com intencionalidade. Não querem de fato nossa liberdade, insistem em nos colocar como a causa dos problemas. Erram na hora de escolher a foto para estampar a violência, atiram contra os nossos corpos mesmo quando fazemos exatamente o que mandaram. Nos tornamos alvos.

No mercado de trabalho somos precarizados, somos preteridos. Por isso, neste dia 02, Dia Internacional para a Abolição da Escravatura, a Organização das Nações Unidas (ONU) pauta a luta que fazemos todos os dias contra a exploração no sistema econômico que estamos inseridos. A data, criada há 73 anos, tem como objetivo exigir a erradicação das diversas formas de opressão sobre uma parcela da população mundial. Porém, a data sem de fato haver mobilização torna-se sem efeito.

Contudo, estamos avançando, propagando nossa potência, mostrando ao mundo o que podemos fazer, muito além do que disseram que éramos capazes, buscando a nossa emancipação pela luta organizada dos que estiveram por aqui e pela nossa mobilização em comunidade. Vão querer retroceder, sutilmente nos retirando o que conquistamos, entretanto, estaremos sempre resistindo. 

Vini Machado
Professor de Geografia e Coordenador de Ciências Humanas. Formado pela UnB trabalho com educação e sala de aula desde 2016. É nalista de engajamento do Mapa Educação, também líder distrital desde 2019, professor e presidente do Vestibular Cidadão, atualmente é coordenador da Politize! em Brasília e Diretor de Expansão da Brasil Cursinhos. É cofundador do Projeto Tem Cor no Ensino e Colunista do projeto Vozes em Pauta do Voz das Comunidades

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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