Adriana, sobrenome Empadinha!

Foto: Renato Moura

Quando ela ainda está no inicio da rua, todo mundo já sabe que a moça da empadinha está chegando. Sem usar microfone e nem carro de som, Adriana Souza grita tão alto que o morro todo comenta na hora que ela passa. Estamos falando da famosa Adriana da Empadinha, que ficou conhecida também no Brasil inteiro por cantar suas músicas na novela “Salve Jorge”, de Glória Perez, pelos becos e vielas do Complexo do Alemão fictício em 2012.

Pelo menos 3 vezes por semana, por volta das 16h, ela veste seu jaleco branco e uma calça legging, abastece seus isopores com aproximadamente 300 salgados e sai cantando paródias de funk para sua clientela. À meia-noite, Adriana volta para casa com tudo vendido. “Vai fazer cinco anos que ganho a vida vendendo as empadinhas e, graças a Deus e à elas, tenho honrado meus compromissos. As empadinhas de frango, queijo e carne seca custam R$ 2 cada. Já as de bacalhau e camarão custam R$2,50. Também vendo brigadeiro, cajuzinho e beijinho de coco a R$ 1”.

Adriana afirmou que antes da pacificação do Alemão, costumava sofrer com a violência: “Saía para vender debaixo de tiro. Tinha que entrar na casa das pessoas, nos bares. E tinha que começar à tarde que é quando as empadas estão prontas. Não ia deixar os salgados estragarem. O pessoal falava: ‘entra aqui, Empadinha! Pô, até debaixo de ro, Empadinha?’. E eu respondia: ‘pois é. Tenho que pagar minhas contas”, lembrou, aos risos.

“As crianças me param, dão tchau do ônibus e me dão flores. Sou apaixonada pelo meu trabalho. Estou sempre rindo”.

Adriana nos confessa que também tem seus dias de mau humor: “Tem o dia da TPM, o dia em que estou com cólica. Nem todo dia a gente está feliz da vida. Mas quando é assim nem saio para vender. Quero tratar sempre bem e com amor os meus clientes”, acrescentou.

As receitas de empadinha ela aprendeu com sua mãe adotiva, dona Eunice. “Ela está muito feliz e orgulhosa de mim”, contou, vaidosa, confessando que consegue uma renda “bacana” com a venda dos quitutes. Ainda mais porque não gasta muito com o material. “Eu pechincho muito. Vou a vários mercados. Só o camarão que compro sempre no mesmo mercado, que é mais fresquinho”, disse.

A vendedora ainda explicou que foi motivada pelas crianças que começou a inventar funks e outras músicas para vender as empadinhas. “As crianças adoram funk. As músicas estão na ponta da língua delas. Então, comecei a escutar os funks e fui fazendo as adaptações. Elas adoram [risos]”. É com este sorriso e a voz manda com bala de gengibre, sempre no bolso, que Adriana já encantou multidões em suas participações na novela, em programas de TV como Esquenta e outros onde sempre é convidada a participar. A carreira de sucesso, teve reconhecimento também no Prêmio AMA de 2012.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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