A Casa dos Ratos: Família sofre com lixão na porta de casa, no Complexo do Alemão

Crédito: Renato Moura / Voz das Comunidades
Crédito: Renato Moura / Voz das Comunidades

“NOS CHAMAM DE PORCAS! MINHA CASA É CHAMADA DE CASA DOS RATOS. QUANDO A GENTE PEDE PARA NÃO COLOCAR LIXO AQUI SOMO XINGADAS!”

Rua Nova, número 85, esquina com a Castelo Branco, mais conhecida como “Sem Saída” na Alvorada – Complexo do Alemão. Esse é o endereço do imóvel conhecido como A Casa dos Ratos, onde mora uma senhora, dois filhos e o neto.

Há 3 anos a família sofre com um lixão que se ergueu na porta da residência durante as obras do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento). “Eu estava viajando e minha mãe trabalha fora, então fica pouco tempo em casa. Já no início das obras do PAC começaram a colocar entulhos no meu portão, logo os vizinhos aproveitavam e jogavam sacolas de lixo. Nos chamam de porcas. A minha casa é chamada de casa dos ratos. Quando a gente pede para não colocarem lixo aqui, somos xingados. Vem gente de longe.” – Denuncia a dona de casa Maiana Alves, que é mãe de um bebê de 1 ano e 8 meses.

“Quando a gente pede para não colocarem lixo aqui, somos xingados”. Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades

 

 

A família diz que, por conta da quantidade de lixos, a casa se transformou em um ninho de ratos, onde transitam livremente pelos muros e cômodos. “Só essa semana já contei mais de 26 andando em fileiras pelo muro. A gente começou a fazer uma obra para tapar os buracos feitos por eles. Já tive que me desfazer das minhas plantas também. Além dos ratos, aqui tem muitos pombos e tenho que lavar o quintal várias vezes ao dia, pois o chão chega a ficar preto e tanto cocô. Meu neto nem pode brincar aqui!”. – Explica a arrumadeira Marlene Alves, moradora da residência há mais de 40 anos.

“A gente começou a fazer uma obra para tapar os buracos feitos por eles”. Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades

 

Marlene conta que foi necessário aplicar telas em todas as janelas da casa, mas que não impede que os insetos invadam a residência, e o cachorro da família é a mais nova vítima da situação. Em apenas uma receita do veterinário, mais de R$ 300,00 foram gastos com medicamentos após o animal ser atacado pela ninhada. “A partir das 18h temos que começar a fechar tudo, pode estar o calor que for, temos que fechar! Nosso cão está todo ruído. Os ratos mordem as patas dele e são muitos. Ele está doente e às vezes a gente fica sem saber o que fazer”.

Vizinhos próximos a Casa dos Ratos contam também sofrer com o lixão que, mesmo com a coleta sendo feita duas vezes ao dia, fica cada vez mais fora do controle e denunciam que por conta do peso e toda a sujeita, o muro da residência ameaça cair. “Entra muito rato na minha casa, coloco veneno, mas morre um hoje e nasce cinco amanhã. Eles passeiam a luz do dia. Não posso mais ficar no meu portão, os bichos passam no meio de nós e sempre que estou andando por aqui tenho que ficar olhando”. – Expõe Silvia Daria, vizinha da casa e proprietária da loja Silvia Festas, que teve que ser fechada.

Mais de R$ 300,00 foram gastos com medicamentos após o animal ser atacado. Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades





Questionado pelo Voz das Comunidades sobre a situação da Casa dos Ratos, o Presidente da Associação de Moradores da Alvorada disse que está buscando um novo espaço para que o lixão seja realocado e que a aplicação de uma caçamba é de responsabilidade da Comlurb e Conservação. “Você tem que fazer essas perguntas para a Comlurb. Já passei tudo para a Conservação. Já pedi contêineres e falaram que não pode por ser um local de ruim acesso. Estou vendo na Rua dos Coqueiros um espaço para colocar. Acabei com o lixo ali um vez quando paguei uma pessoa para ficar de fiscal, mas eu não tenho como acabar com o problema dessa família e arrumar um problema para outra.”

Após contato, o responsável pela Limpeza e Conservação diz que está ciente do problema e que aguarda da sinalização da Associação com um novo local, para que assim, novas caçambas sejam aplicadas na Alvorada. “Conheço bem o problema! Recolho o lixo domiciliar duas vezes por dia, sem contar entulho. Estive conversando com Renato (presidente da associação) sobre arrumar um outro local para oferta dos resíduos, sendo que com a construção da Estação do Teleférico, foi criada uma dificuldade enorme para encontrar um local para se colocar o lixo. Por infelicidade destas senhoras, o lixo foi parar na porta delas. O Presidente da Associação tem que arranjar um novo local. Quanto aos contêineres para acondicionamento do lixo a empresa não está fornecendo por motivos de economia nas finanças públicas. Por enquanto vou recolhendo o lixo domiciliar e procurando deixar o local limpo.’’

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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