E se a vida na terra tivesse mesmo acabado?

Uma curta reflexão sobre o vácuo
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Disseram que o mundo ia acabar essa semana. É que tinha um cientista russo dizendo que um asteróide tava a caminho, que a NASA confirmou esse papo mas na verdade o tal objeto, que possivelmente é um cometa sem cauda, ia passar relativamente longe daqui.

Sendo verdade ou não, só sei que essa informação me caiu como uma bomba.

De repente me pego pensando sobre quantos abraços não dei, quantos sorrisos não sorri e quantos “sim” eu nem sequer tentei porque o “não” já era certo. Pra piorar a situação, me pego aconselhando uma pessoa sobre “pra morrer basta estar vivo” – real mesmo.  Fico me perguntando se amei do tamanho que eu merecia amar, se retribuí tudo de bom que a vida me deu, se me permiti ser realmente feliz… Será que a jornada valeu a pena?

Só sei que o cometa tá lá, vagando sozinho pelo universo. Vai passar triscando nosso planetinha e vai nos invejar profundamente enquanto estamos com a família em casa vendo filme, com os amigos no boteco escutando Amado Batista, com os colegas no trabalho desenvolvendo coisas que podem melhorar o mundo…

O tal cometa sem cauda não tá sozinho nessa bad trip intergalática. Cada dia tem mais gente aí no pique asteróide fazendo vôo solo. De uma certa forma todos nós estamos, né, afinal só a gente sabe das nossas próprias solidões.

Mas tudo bem, vem aí o carnaval: a melhor época do ano pra se sentir sozinho na multidão. A melhor época do ano pra encontrar um grande amor que morre na quarta de cinzas, pra ser mais exato ao meio-dia. Amor com hora marcada.

Bom mesmo é viver um amor infinito, né. Um tão grande que vale a viagem entre as estrelas. Que vale o abraço, o sorriso e até o risco de ganhar um “sim”.

Até porque o “não” a gente já tem mesmo.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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