Abre a passarela para as musas (e musos) da Favela

Eduardo Rosa (centro) com sua equipe do 'Rei e Rainha da Favela'. - Foto: Rodrigo Chadí/Jornal Voz Das Comunidades

Morador do Morro da Formiga idealiza projeto de moda para comunidade e empodera jovens nas favelas

Quantos modelos oriundos de comunidade a gente conhece? Podemos citar um homem e uma mulher? Para quem nasce em favela, os sonhos precisam ser resistentes. Levando isso em conta, um jovem de 22 anos pensou em um projeto de moda para sua comunidade. Eduardo Rosa, morador do morro da Formiga, no bairro da Tijuca, sonhou um futuro diferente para os seus e sonhou tão alto que conseguiu. O projeto Rei e Rainha da Favela nasceu e hoje em dia impulsiona muitos jovens, inclusive de outras comunidades.live streaming film After the War 2017

“A partir do momento que você dá uma oportunidade e vê a pessoa abraçar com vontade, essa chance é o que faz mover todo o nosso trabalho. E temos muitos exemplos. Eu fico arrepiado com tudo. E queremos cada vez mais crescer e aumentar o sonho desses jovens que não acreditavam na possibilidade de um futuro”, finaliza Eduardo, muito emocionado.

Jovens posam na escada de acesso à Associação da Formiga - Foto: Rodrigo Chadí/Jornal Voz Das Comunidades

Jovens posam na escada de acesso à Associação da Formiga – Foto: Rodrigo Chadí/Jornal Voz Das Comunidades

Como todo projeto, a ideia veio de observações críticas da realidade. Mesmo sobrando talento, faltava representação negra e periférica no meio da moda. Unindo o útil ao agradável, o trabalho começou a acontecer. Com recursos próprios e algum perrengue, um grupo de jovens iniciou desfiles e sessão de fotos, somando conhecimento de parceiros que acreditavam no mesmo propósito, até aparecer a oportunidade de um edital estadual para fomentar a ideia. Em 2015, Eduardo pôs sua ideia no papel e levou para o PAT (Plano de Autonomia Territorial) do Caminho Melhor Jovem, programa de inclusão social e profissional de jovens moradores de comunidade, e conseguiu 12 mil reais para impulsionar o Rei e Rainha da Favela.

“O foco é o empoderamento juvenil nas favelas. A gente queria juntar uma galera com vontade e trabalhar o potencial deles na área. Depois disso veio um concurso que formou nossa base de modelos. Por meio de um processo seletivo, escolhemos os que seriam capa do nosso trabalho e estes, hoje, dão aulas para os novos que chegam”, explica Eduardo, que hoje é diretor do projeto. “Criamos uma agenciadora, a R&F Modas, e fazemos fotos e produção desses modelos. Contamos com uma equipe maravilhosa de produção, com fotógrafos, maquiadores, cabeleireiros e produtores de moda”, conta.

O que começou pequeno se profissionalizou e hoje, além de uma equipe de produção, eles dividem o conhecimento oferecendo oficinas dentro das comunidades. Isso tudo em pouco mais de um ano. “Muitos chegaram frustrados de outras experiências malsucedidas. Sabe como projeto de comunidade é difícil de vingar, não é!? Mas a gente tem conseguido sucesso. Montamos oficinas para ajudar com os gastos do concurso dentro das comunidades e alguns eventos e rifas”. Essa é a forma que Eduardo e seu grupo de modelos encontrou para prosseguir com o trabalho, ainda sem patrocínio.

Jovens do 'Rei e Rainha da Favela' - Foto: Rodrigo Chadí/Jornal Voz Das Comunidades

Jovens do ‘Rei e Rainha da Favela’ – Foto: Rodrigo Chadí/Jornal Voz Das Comunidades

Outra coisa que une os jovens é a boa relação entre eles e a força que um dá para o outro. “Somos uma família, sabe? Não é sempre que somos remunerados, mas a gente aprende muito um com o outro. Podemos contar um com o outro também, a gente se ajuda. Dividimos dinheiro de passagem, lanche. Somos amigos e nos fortalecemos por isso”, compartilha Thamyres Luna, 20 anos, que há nove meses participa da R&F Modas.

>> Saindo do Borel e Formiga, o Rei de Rainha da Favela se estenderá a outras comunidades como Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, Salgueiro, Fumacê, Batan, Rocinha, Vidigal, Mandela e ainda estuda propostas em São Paulo. Para o futuro ainda serão lançadas linhas de bijuterias e roupa, tudo para aumentar as possibilidades de crescimento do trabalho.

“Muita gente entrou por conta da premiação em dinheiro e pelo book profissional, mas lá dentro, a experiência de desfilar, a vivência com o mundo da moda, de ficar nervosa no momento, de saber que é capaz de fazer o proposto, impulsionou muita gente. Inclusive eu, que comecei como produtora e hoje sou uma das modelos oficiais. Além de realizar um sonho, a gente ajuda a realizar o ideal de outras pessoas e esse é o nosso pagamento”, relata Karla Nascimento, 17 anos, que já acalmou muitas modelos antes do desfile.

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