OPINIÃO | A conscientização política como meio de transformação social no Brasil

Marielle Franco saindo da Câmara Municipal do Rio de Janeiro; 26/10/2017 | Foto: Bárbara Dias/Fotoguerrilha

Marielle Franco saindo da Câmara Municipal do Rio de Janeiro; 26/10/2017 | Foto: Bárbara Dias/Fotoguerrilha

A crise no Brasil não está somente ligada ao âmbito econômico, mas sim ao caráter individual de quem pertence a ela como ser humano. No período democrático que o país vive, a forma de interagir ativamente na sociedade vem se modificando ao longo do tempo através do uso de ferramentas como a própria Internet, que auxilia na participação de cada um dentro do território que vive, buscando sempre novas maneiras de abranger e questionar determinados assuntos importantes de serem discutidos e enraizados, ainda mais por contextos históricos (como a colonização e a escravidão, por exemplo), sempre focando na coletividade.

No entanto, ocorre uma alteração dessa ideia de exercer a política como uma ação de responsabilidade sobre as escolhas voltadas para o ambiente e acaba dando lugar à percepções desumanizadoras focadas na violência como o único meio de comunicação com o espaço e de hierarquização de opressão, trazendo malefícios para a construção de um futuro melhor para todos.

Tal destilamento de medo, alienação sobre “verdades não tão absolutas assim”, superiorização de ideologias, disseminação de mentiras através das propagandas e centralização do caos ocasionam uma série de fatores agravantes para a manutenção do sistema e a valorização de áreas importantes como a educação e a cultura. O que prevalece e permite que qualquer um concorde ou não sobre algo e use a sua voz como uma ferramenta de renovação, do respeito ao próximo e exercício da conscientização sobre os problemas desde a sua raiz, por fim enfatiza a banalização do mal, desmotiva o interesse pela transformação, promove tendências perigosas como a “única realidade possível” voltadas para a “limpeza moral”, perseguições e uma justificativa para criminalizar e inserir táticas de “guerra” em “territórios hostis”, na qual o acesso aos direitos e deveres de grupos ou classes populares são negados.

O “uso do texto da lei para combater o espírito da lei” ou o uso de meios democráticos para a deslegitimação da própria democracia, é utilizado para favorecer um grupo político ou por razões políticas/privadas. Isso enfraquece o significado da própria política e exalta vertentes autoritárias voltadas para a insensibilização, barbaridade, horror e descontextualização de falas como um método de controle e polarização política, além da manutenção de interesses econômicos legais e sociais da estrutura de poder que persiste em existir no país.

Foto por: Fagner França

Foto por: Fagner França

Como Belchior interpretava e Elis Regina cantava lindamente, “é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”. Negar a veracidade do que está ocorrendo nos últimos anos e se distanciar é fechar os olhos, boca e ouvidos, permitir a própria vulnerabilidade de ser dominado e ser distraído dos “inconvenientes” existentes por interesses políticos. A mudança que a população busca em prol do progresso da nação não está em Brasília. Está em cada um através do reconhecimento, da ética, conscientização e do diálogo. A reconstrução nacional deve partir de baixo para cima e não é pela violência que devemos começar. Necessitamos ser referências, inspirações e potências para os que estão germinando e os que ainda serão plantados no futuro através de ferramentas como a escrita, a fala, o olhar, entre outros. Sair da zona de conforto e ir para a zona de confronto através de articulações e debates é crucial para identificar quem quer restringir e fechar as portas do conhecimento. A revolução necessária para o país não se faz com armas, retrocessos e a ignorância mas com o conhecimento dos deveres e direitos, empatia, a valorização das qualidades individuais de todo ser e a transmutação da realidade através das nossas ações em prol da liberdade e do respeito ao próximo sempre.

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