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Vazar o Invísivel: primeira mostra de arte do PerifaConnection coloca oito artistas periféricos em destaque

Foco é a população pobre, empurrada diariamente pelo sistema para luta por sobrevivência, que encontra em suas artes uma maneira de superar barreira
Obra audiovisual de Osmar Paulino Imagem: Marcelo Lince / Divulgação

No último sábado, 11 de setembro, o PerifaConnection abriu sua primeira exposição de arte no Studio Om.Art, localizado no Jockey Club, no Rio.

Oito artistas periféricos apresentaram formas autorais de elaboração. Poéticas e procedimentos artísticos que passam por materialidades como pintura, fotografia, argila, barro, madeira, vídeo, costura, poesia e palavra. Configurações comuns de humanidades diversas em um meio que constrói subjetividades, o das artes.

Com curadoria de Camilla Rocha Campos e Raquel Barreto, a mostra aborda três temáticas que se impõem com muita vivacidade: territórios, pertencimentos e afetos.

A “Vazar Invisível” também provoca o público para um olhar sobre uma potência de vida invisibilizada pela herança colonial.

Ela desloca a perspectiva iluminista europeia e o seu antropocentrismo padronizado no homem branco, cis e europeu, para mulheres e homens negros, LGBTQIA+, favelados e periféricos.

O foco é a população pobre, empurrada diariamente pelo sistema para uma luta por sobrevivênai, que encontra em suas artes uma maneira de superar as barreiras que a cultura renascentista e iluminista reservaram a eles.

A partir da de amarelo: Raquel Barreto (Curadora), Gabriella Marinho (Artista), Lidi de Oliveira (Artista), Osmar Paulino (Artista) e Camilla Rocha Campos (Curadora) – Jefferson Barbosa / Divulgação

Desta maneira, a “Vazar o Invisível” é uma outra forma do público nos ouvir, pois o silenciamento e a invisibilidade compõem o modus operandi que reforça a ideia de um único discurso sobre a história do Brasil. Em outros termos, é uma ferramenta para a disputa de poder simbólico.

Como aponta a filósofa Djamila Ribeiro em seu livro “O que é Lugar de Fala?”, quando utilizamos a palavra para interromper o regime da autorização discursiva, estamos nos referindo a uma estrutura que determina o imaginário social que envolve poder e controle.

As encruzilhadas que abrem os caminhos (in)visíveis da mostra são pontos riscados por Abdias Nascimento, Carolina Maria de Jesus, Joãozinho da Goméia, Ayrson Heraclito, Rosana Paulino, Ailton Krenak, Pêdra Costa, Jota Mombaça, Sandra Benites e tantes outres que manifestaram e manifestam o legado ancestral, múltiplo e coletivo dagira da criação (O lugar da roda e da ritualística dos terreiros que faz conexão espiritual com a ancestralidade).

Idealizada por Jefferson Barbosa, Ernesto Neto e Oskar Metsavaht, A “Vazar Invisível” reúne obras de oito artistas periféricos: Deize Tigrona, Filipe Cordon, Gabriella Marinho, Jefferson Medeiros, Lidi de Oliveira, Osmar Paulino, Rainha F. e Raphael Cruz.

A exposição pulsa a prática do deslocar-se, do desejo de reunir, das poéticas da ancestralidade, das lutas, da força. Estas conectadas aos territórios, pertencimentos e afetos. Como afirmam as curadoras da mostra: “A intenção aqui é vazar o invisível e te deslocar para longe de uma ficção colonial.”
A Vazar Invisível ficará aberta, com entrada franca, até 31 de outubro, no Studio Om.Art.

Autores

Osmar Paulino: Geógrafo/UFRJ. Mestrando em Cultura e Territorialidades/UFF. Fundador do FAIM – Festival de Artes em Imbarie. Artista visual e estudante da EAV Parque Lage. É um dos artistas da “Vazar o Invisível”

Jefferson Barbosa: Jornalista e diretor do PerifaConnection

Lidi de Oliveira: Multiartista, Coordenadora do Lab Arremate. Faz parte do Movimenta Caxias, Voz da Baixada e é colaboradora do Perifa Connection. E também é uma das artistas da Mostra “Vazar o Invisível”

Camilla Rocha Campos: Artista, professora, curadora, escritora, co-diretora da 0101 Art Platform, professora e mestre em Teoria da Arte pela UERJ. E é uma das curadoras da “Vazar o Invisível”

Raquel Barreto: Historiadora, pesquisadora, co-curadora da exposição da “Carolina Maria de Jesus, um Brasil para os brasileiros, que será realizada no IMS/São Paulo e desenvolve pesquisa no doutorado sobre Partido dos Panteras Negra e as relações entre história, fotografia e imaginação radical. E assina também a curadoria da “Vazar o Invisível”

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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