“É o início de um ‘Black Lives Matter’ ”, afirma especialista sobre ato contra a violência na Maré

Manifestação pacífica reúne moradores, artistas e ativistas sociais

A ‘Marcha contra a violência na Maré’, realizada na tarde desta quarta-feira, 24/05, no Complexo de favelas da Maré, reuniu moradores, artistas como o ator Caio Blat, ativistas sociais e a imprensa. O grupo caminhou da Praça do Parque União até o local conhecido como “divisa”, um dos palcos de episódios de guerra que no ano passado deixou 17 mortos, e esse ano já contabiliza 29 feridos, segundo dados dos organizadores.

O ato foi organizado pelo fórum “Basta de Violência! Outra Maré é possível”, composto por comerciantes, líderes religiosos e moradores da Maré. A caminhada ocorreu de maneira totalmente pacífica.

Em um palco, artistas locais e de outras favelas, como a MC Martina, do Complexo do Alemão, se apresentaram. Em seguida, líderes das associações de moradores e familiares das vítimas também deram seu depoimento e pediram o basta de violência.

A Maré, composta por 16 comunidades, vive, além do conflito dos traficantes com policiais, a guerra entre duas facções criminosas rivais. Silvia Ramos, especialista em segurança pública, que estava presente na manifestação, afirmou que foi um dia histórico e surpreendente. “Pra mim o saldo de hoje é totalmente positivo. O que a gente demonstrou aqui mais uma vez, com a presença de moradores e pessoas de fora, é que a vida das pessoas que moram na favela importam e que estamos atentos a isso. O início de um verdadeiro “Black Lives Matter” (“As vidas dos negros importam” – movimento contra a violência policial aos negros dos Estados Unidos.) carioca”.

Sobre as perspectivas de um projeto eficaz de segurança para o Rio de Janeiro, a especialista não está otimIsta. Diz que dava para reinvestir em um projeto de polícia comunitária, de proximidade, mas avalia que isso não aconteceria por falta de interesse de autoridades. “Tem muita gente interessada na falência da UPP. Para algumas autoridades a favela não merece a presença da polícia. Alguns chegam a dizer que quando colocamos policiais nas favelas temos menos deles no asfalto”.

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