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Foto: Laerte

No meio em que vivemos é visível enxergar às barreiras de desigualdade social que são impostas a nós, e quando digo nós, me refiro ao povo favelado, ao grupo lgbt, às mulheres e a população negra, todas às instâncias que são tidas como minorias.

O racismo, machismo, o feminicídio, a precariedade no ensino nas escolas públicas, o descaso nas unidades de saúde, tal como às Clínicas da Família, são algumas das problemáticas que infelizmente uma parcela da população estão sujeitos a passarem.

Mas existem pessoas que lutam não só para ajustar esse caos, mas também criticar a má atuação dos nossos governantes. Sendo ainda mais específico, existia uma pessoa que fazia isso com todas as forças possíveis, seu nome era Marielle Francisco da Silva, conhecida como Marielle Franco.

Vereadora eleita com 46 mil votos pelo PSOL, negra, mãe solteira, 38 anos, socióloga, lésbica, cria do Complexo da Maré. Marielle era uma líder política defensora dos direitos humanos. Seu ativismo era não só contra a violência dos policiais nos espaços periféricos e a falta de segurança urbana, mais também lutava pelas mulheres, tendo como foco as negras e lésbicas. #AssédioNãoÉPassageiro, Lei das Casas de Parto, Espaço Coruja/Espaço Infantil Noturno e Pra Fazer Valer o Aborto Legal no Rio eram alguns dos projetos que ela fazia parte.

Na noite de 18/03/2018 a voz da ativista foi calada. O carro em que Marielle estava foi alcançado por outro veículo na esquina das ruas Joaquim Palhares e João Paulo I, no bairro do Estácio, no centro do Rio de Janeiro. Foram nove disparos. Oito projéteis atravessaram o vidro da porta traseira direita, bem no local onde Marielle estava sentada. Quatro atingiram a cabeça da vereadora. Anderson, o motorista, foi alvo de três disparos nas costas. Uma assessora que estava no banco dos passageiros ficou ferida pelos estilhaços. O veículo utilizado pelos assassinos tinha a placa clonada, e a polícia não descarta a hipótese de que um segundo carro tenha participado da ação.

Na tarde deste domingo, dia 18, centenas de pessoas caminharam pela Linha Amarela e Avenida Brasil, próximo a favela da Maré, para protestar contra a morte da ativista. Empunhando faixas e imagens de Marielle, os moradores pediam justiça e gritavam contra a tentativa de silenciá-la. Convém lembrar ainda que seu nome esteve presente não só no cenário nacional, mas também internacionalmente.

Foto: Laerte

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A irmã de Marielle, Anielle Franco, ainda tentava achar uma explicação para a brutal execução: “O que matou ela foi o que ela lutava. Ela lutava por tudo de minoria, ela era contra intolerância, preconceito, ela era contra racismo […] A pergunta que fica para mim é ‘por que mataram ela?’. Por que ela era negra, por que ela era favelada, por que ela defendia os pobres, os negros, os homossexuais? Eu não sei quem matou, mas eu sei que eles não esperavam, eu sei que o que levou a matar é que ela mexia em coisas que muita gente tinha medo de mexer. Ela batia no peito e falava que era homossexual, falava que ela tinha vindo da Maré, falava que ela negra, favelada. Eu acho que isso incomodava um pouco […] Só tinham essa maneira de calar minha irmã. Só matando ela. Se não matam a Marielle, ela hoje ia estar mais longe. Eu acredito até Senado, Governo, não sei. Mas se não calam ela dessa maneira, ela ia alçar hoje voos muito mais altos”.

Tem sido dias difíceis, na verdade sempre foram dias difíceis, mas parece que agora tudo veio como um soco no estômago. Encerro com uma pequena citação feita por ela em uma das conversas que tive sobre a questão da favela e estudo desse espaço.

“Uma mulher incomoda muita gente, um negro incomoda muita gente, um favelado incomoda muita gente. Os três juntos incomodam muito mais”

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