Entre muros e vielas

Em cada cantinho desse lugar tem sua mensagem, tanto subjetiva quanto pragmática. Exposta de tal forma em cores e pungência. Pinturas e símbolos exalam suas fraturas, agonias e paixões. De cima e embaixo, dessa pequena urbe de nome Vidigal. Traçados são feitos em quase todos os muros e vielas. Algumas de autores de desconhecidos. Muitas querem traduzir algo em sua perene forma. Outras, no entanto são tão rebuscadas no qual mereciam um espacinho no MoMa. Mas não importam, ali já estão como resistência cultural em plenitude, fazendo  do espaço um museu na rua. De modo híbrido, seus progenitores as fazem como canto de liberdade encarnada. Como em Barravento do gênio Glauber. Pinturas abstratas, símbolos rupestres são arquétipos dessa aventura de jatos de cores, spray e tintas baratinhas, para deixar a sua veracidade nas paredes e vielas.

Em tempos de guerra haviam distúrbios, tiros e pinturas tão ferozes quantos seus espaços. Pragmáticas e singelas, elas traziam consigo também a demarcação de espaço por tal dono ou grupo. Até hoje presente, remonta um tempo confuso, tenso porém cheio de confiança dessas pessoas.

Quase que uma reivindicação, elas estão no nosso ideário “marginal” de tempos difíceis, cujo alimenta a nossa psicopedagogia. Emana também ao meu imaginário Hélio Oiticica. Pela qual vejo à margem desse labirinto artístico carregadas de força e poder na mensagem no qual ardem diante dos olhos de tão picante e sensíveis para com o mundo.

Abstrata, impressionista, marginal, surrealista, conceitual entre muitas concepções, a construção espacial é feita. Arte urbana não se apaga ou joga tinta cinza, pois a resistência remonta. A rua remonta. Às memórias e os desejos não ficam engasgados e tomam outras formas.

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