OPINIÃO – Progresso pra quem?

O “progresso” desenfreado chegou, e como quem não quer nada, vem subindo a Favela. “Construindo” e destruindo histórias. Não é inacreditável, mas é impressionante o poder do dinheiro aliado à ganância. Primeiro riscam e rabiscam a Quebrada de ponta a ponta, de lado a lado, de Leste a Oeste e de Norte a Sul; isso sem pedir licença e sem ao menos dizer do que se trata. Na sequência ludibriam uma parte da população, compram a minoria com promessas vãs, e começam a fazer o trabalho sujo. Mas, em um determinado momento boa parte dos moradores, mesmo sem entender a fundo a dinâmica da coisa (o tamanho do estrago que estava por vir) decide se unir e pedir para que sejam interrompidos os trabalhos; mas, infelizmente esbarram na “burrocracia” do sistema (burrocracia de burra mesmo). Então, sem nenhum respeito as obras continuam.

Histórias de vidas inteiras sendo apagadas, sonhos sendo destruídos e heranças sendo saqueadas sem piedade. E o que se vê? Famílias ilhadas no meio dos escombros, disputando espaço com bichos peçonhentos e perigosos, além dos becos e ruas esburacadas e escuras, aliado a falta de consciência de alguns que dispensam seus lixos nos vários lixões irregulares, que se tornaram os espaços das demolições, problemas causados pelo tal “progresso”. Algumas pessoas até que se adaptaram ao novo lar, o que mostra que não foi ruim de tudo, pelo menos pra essas pessoas; mas outras adoeceram por terem saído do lugar onde passaram a vida toda. Outras caíram na real ao ver que o sonho da casa própria no predinho, na realidade é um terrível pesadelo. Não tem mais quintal, não tem mais as plantas, não tem mais os animais de estimação, não tem mais espaço, não tem mais sossego; sem falar da boa convivência que vai se definhando com o passar do tempo, devido os novos atritos decorrentes do ambiente.

Quem leu até agora pode achar que eu sou um verdadeiro “do contra”, que não aceito o crescimento da Comunidade. Porém, uma coisa não tem nada à ver com a outra. Eu não sou contra o progresso. Pelo contrário, eu sou muito à favor do progresso, a partir do momento que ambas as partes sejam beneficiadas; coisa que não é o que vem acontecendo aqui no Morro do Papagaio (Belo Horizonte), ou pelo menos não vinha. O pior é que agora, só agora o “Tribunal de Justiça, atendendo a Defensoria Pública, acatou a denúncia, e soltou uma liminar mandando parar novas desapropriações e novas demolições, até que o processo seja julgado como um todo”, segundo o advogado Luiz Costa, que atua na Comunidade. Tem cabimento um negócio desses? Quando as obras estavam no começo fizeram vista grossa, agora que as obras já foram concluídas mais da metade, que já jogaram no chão 80% dos barracos que estavam marcados pra sair, vem a ordem de parar a obra. Logo agora que não tem mais volta (ao meu ver), e que precisar ser finalizada, respeitando de fato os moradores, pararam as obras em determinado local. E agora, como ficam os moradores que ficaram? Até quando seremos reféns do sistema? Pra finalizar digo que, o que estão fazendo aqui é igual ao que estão fazendo com a floresta Amazônia: Como não podem tirar nas beiradas pra não dar na cara, fazem o estrago no meio, o que só pode ser visto via satélite, isso depois que já não resta mais nada a ser feito. Querem acabar com a Amazônia, assim como querem acabar com as Favelas. Área nobre, desejo de grande empresários.

Esta coluna é de responsabilidade de seus atores e nenhuma opinião se refere à deste jornal.

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