Em um relacionamento sério com o Complexo do Alemão

Lana é exemplo de atitude e parceria com as comunidades

O Conjunto de Favelas do Complexo do Alemão é berço de talentos promissores. Nesta edição, vamos conhecer um pouco  da estudante, ativista social, ex-Parceira do RJ da TV Globo e moradora da comunidade conhecida como Alvorada: Lana Carla de Souza.

Quando criança, sempre foi muito caseira e desde os 12 anos ensaiava a ideia de se tornar jornalista. Apesar da vida seguir por outro caminho, permaneceu ativa em projetos relacionados a comunicação mesmo enquanto trabalhava na área de saúde como agente comunitária. O grupo Descolando Ideias foi um dos projetos de que fez parte, explorando um pouco de comunicação e cultura, realizando atividades na comunidade. “Íamos para a rua apenas para brincar com as crianças de coisas com as quais elas não estavam acostumadas: Amarelinha, vivo e morto, entre outros”, lembra.

Durante uma das caminhadas pelo Alemão com o grupo, Lana registrou um momento marcante, que ganhou o prêmio de fotografia “Um novo Clique”, do Jornal O Globo. Mesmo com muitas pessoas elogiando seu olhar fotográfico, ela diz que não tem nenhuma técnica. “Em uma das nossas caminhadas pela favela, fizemos a foto do menino soltando pipa próximo à cruz que fica no alto do morro. Digo fizemos, pois a ideia da foto foi coletiva, tanto que parte do prêmio foi usado para ações do grupo. ”, comenta.

Após um pouco mais de um ano de atividade no grupo, tomou a decisão de se desvincular do projeto por motivos pessoais. Aproveitando a relação com o Complexo do Alemão, se inscreveu e foi selecionada para fazer parte do quadro Parceiros do RJ. Para quem não lembra, o quadro era apresentado na TV Globo, durante o RJTV primeira edição, abordando assuntos das favelas e cidades da região metropolitana do Rio através dos próprios moradores. “Estava começando a me relacionar de fato com a favela. A proposta me pareceu agradável e me inscrevi”, comenta.

"Gosto de falar de gente, de trocar boas experiências de contar histórias." Diz Lana de Souza - Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)

“Gosto de falar de gente, de trocar boas experiências de contar histórias.” Diz Lana de Souza – Foto: (Renato Moura/Voz das comunidades)

Para Lana, o contrato com a Globo e produzir conteúdo para um telejornal de grande audiência por um ano e meio foi a maior experiência profissional que teve até o momento, assim como a oportunidade de explorar o local onde nasceu e foi criada, dedicando-se a comunidade que faz parte.

“Gosto de falar de gente, de trocar boas experiências, de contar histórias. Profissionalmente o Parceiro me proporcionou uma bagagem absurda de conhecimento técnico sobre a área. Aprendi com profissionais extremamente capacitados e dedicados a sua profissão. Pessoalmente o projeto me deu o prazer de conhecer pessoas que estão na minha vida até hoje. O Erick Bretas (criador do projeto e na época diretor regional de jornalismo) dizia que queria que fosse o melhor ano da nossa juventude. De fato, foi.”

Hoje em dia, cursa o terceiro período de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo na FACHA e se dedica ao trabalho de comunicação comunitária no Coletivo Papo Reto. O projeto noticia de modo diário assuntos como falta de segurança, no Complexo do Alemão. Lana fala com orgulho da publicação que o New York Times fez no início de março sobre o Coletivo e a atuação do projeto no território do Complexo do Alemão. “O Coletivo é a coisa mais linda que já me aconteceu nos últimos tempos. A gente tem as nossas desavenças, como qualquer grupo, mas nossa maturidade é o diferencial para que as coisas não percam o controle”, comenta.

Uma das realizações de grande repercussão do Coletivo Papo Reto foi o programa Retrato Falado e o #TalDoAoVivo. A estudante diz que foi uma noite emocionante e divertida, que renovou as energias de toda a equipe do Coletivo, que está focada em atuar mais na produção audiovisual, com propostas de programas que ainda estão em fase de criação.

“É quase utópico conseguir viver financeiramente disso, mas eu não quero deixar de viver a comunicação no meu lugar. Eu, oficialmente, sou produtora no Coletivo, mas atuo principalmente como editora de vídeo. A gente faz um pouco de tudo”, conclui.

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