Casal do agrupamento de favelas Juliano Moreira, em Curicica, vence Covid-19 e fala sobre a experiência com a doença

Rayllane Andrade e o marido foram infectados em abril e temiam pelo filho de 3 anos
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A expansão do novo coronavírus nas periferias vem preocupando moradores, principalmente os que foram contaminados. Rayllane Andrade, de 26 anos, e Luiz Henrique, 25, moram no agrupamento de favelas Juliano Moreira, em Curicica, comunidade localizada em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, e tiveram Covid-19. As maiores preocupações do casal eram com o filho de 3 anos e com a saúde de Rayllane, que faz parte do grupo de risco.

“Nos preocupamos bastante, muito mesmo, mas graças a Deus nosso filho não teve nenhum sintoma. Assim que apresentei os sintomas, fiquei bastante preocupada também, porque eu tenho uma doença autoimune chamada Lúpus, então minha imunidade é muito baixa e eu faço parte do grupo de risco”, conta Rayllane.

Devido a doença pré-existente da jovem, ela faz uso do medicamento de hidroxicloroquina há mais de um ano. Entretanto, alega não saber se o remédio ajudou na recuperação, pois não há garantia de eficácia do medicamento contra o novo coronavírus.

Luis Henrique, marido de Rayllane, testou positivo e apresentou dores de cabeça fortes que duraram em torno de uma semana. Rayllane não fez o teste, mas apresentou sintomas da doença. “Eu comecei a ter muita dor no corpo e perdi completamente o olfato e o paladar. Era uma coisa que eu nunca tinha sentido antes. O meu nariz ficou ressecado, mas não tinha coriza. Eu tentava umedecer com soro para amenizar, porque ardia ao respirar”, relatou.

Apesar de Rayllane fazer parte do grupo de risco, ela e o marido não apresentaram os sintomas mais graves. Entretanto, um amigo próximo da família foi internado com falta de ar e 50% do pulmão comprometido.

Rayllane Andrade e família. Foto: acervo pessoal

Rayllane seguiu as medidas de isolamento social, estava desempregada e ficava em casa com o filho. Luis Henrique foi afastado do trabalho. Ele atua numa área que exige contato com o público. Atualmente, ambos estão trabalhando e, devido ao atual cenário de pandemia e fechamento das escolas, o filho passa o dia com uma cuidadora de confiança da família.

“A empresa do meu marido toma todos os cuidados e a minha também. Foi uma mudança radical e eu tenho certeza que a gente vai levar pra vida toda, até mesmo os costumes. Depois que passar a pandemia, acho que ninguém mais vai tirar álcool em gel da bolsa.”

Contudo, muitos moradores não respeitam o distanciamento social em comunidades do Rio. Embora o agrupamento de favelas Juliano Moreira não esteja no painel de casos de Covid-19, há casos confirmados na localidade.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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