Escada tombada há nove meses no Alemão prejudica mobilidade dos moradores

A escadaria da Ibirapitanga, nas Palmeiras, é o único caminho para a maioria das pessoas que mora na localidade
2021_08_04 - ESCADA DAS PALMEIRAS - Matheus Guimarães-2

Foto: Matheus Guimarães / Voz das Comunidades

São nove meses sem solução! No dia 9 de dezembro de 2020 tombou um trecho da escadaria da rua Ibirapitanga, na localidade das Palmeiras, no alto do Complexo do Alemão. Segundo moradores, a escada já apresentava irregularidades há anos e a falta de manutenção, chuvas fortes e infiltrações nos canos que passam por baixo do solo causaram o tombamento da escada.

A primeira impressão de quem chega ao local é de que é impossível passar por ali. Isto porque a escada está torta, com um grande buraco, e afundando cada vez mais com o passar do tempo. No entanto, a escadaria da Ibirapitanga é o único caminho para a maioria dos moradores. O que resta é arriscar, contar com a sorte e o equilíbrio. “Não tem por onde passar. A gente dá um jeito e vai passando pelo canto. Os moradores estão passando sufoco! Se essa escada virar de vez, vai entrar na minha casa e eu não vou ter como sair. Vai ter que juntar eu e o povão para fazer uma escada”, declara Maria de Fátima, de 42 anos.

Escada no Alemão
Maria de Fátima diz ter socorrido várias pessoas que caíram no buraco da escada.
Foto: Matheus Guimarães / Voz das Comunidades

Ainda de acordo com relatos de moradores, mais de cinco pessoas já caíram durante a travessia. Um deles é Davi Tavares, de 39 anos. Davi conta que sentiu um tremor na escada, ficou nervoso, acabou se desequilibrando e caiu dentro do buraco. “Ainda tenho as marcas, me machuquei todo e fiquei quase uma semana sem andar. Desço porque só tem essa passagem e tem que descer né”, diz Davi.

Promessa é dívida! 

Moradores alegam que diversas autoridades estiveram no local, fizeram vistorias, prometeram melhorias, mas nada foi feito. “Que o prefeito possa nos socorrer, porque tá difícil. Só tem promessa! Vão esperar ano de eleição para fazer alguma coisa? Aí realmente não dá. Tem senhoras e crianças que passam por aqui. A dificuldade é imensa. Daqui a pouco vão vir quando for algo mais grave”, desabafa Davi Tavares. 

Escada no Alemão
Davi Tavares teme que a situação da escada piore e algo mais grave aconteça.
Foto: Matheus Guimarães / Voz das Comunidades

A Associação de Moradores das Palmeiras está ciente da situação e, assim como a Gestão Executiva Local do Complexo do Alemão, afirma que não teve retorno dos órgãos responsáveis. “Vamos continuar cobrando até a reconstrução da escadaria. Não vamos desistir nunca”, diz Sandro Luís, presidente da associação. 

Em busca de respostas sobre a reforma da escada, acionamos a Secretaria Municipal de Infraestrutura e tivemos resposta da Geo-Rio que o serviço a ser executado é de estabilização do barranco e em seguida a recomposição da escadaria. Segundo a fundação, estão finalizando os trâmites administrativos para começar a obra, mas não foi informado o prazo para início do processo. 

Enquanto isso, moradores esperam por melhorias básicas e, mesmo sem muita esperança, aguardam por uma solução. “Na verdade, a minha esperança é muito pouca, porque estamos nessa luta há bastante tempo”, afirma Davi.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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