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Inferno Verde sofre com diversos problemas e poucas iniciativas chegam à localidade

Moradores da área localizada na Palmeiras, no Alemão, apontam falta de limpeza das ruas e estrutura precária
Foto: Josiane Santana

São tantos problemas na região com o apelido de Inferno Verde, no Alemão, que é difícil identificar quais os mais urgentes. As reclamações vão desde limpeza das ruas até à estrutura precária das casas. 

Isaías da Silva, de 55 anos, vive na rua Travessa da Pedreira e mora em condições que trazem perigo a ele e aos vizinhos. O morador tem deficiência nas pernas e  problema de mobilidade. Isso torna a situação ainda mais difícil. O acesso a casa é feito com tábuas improvisadas e o terreno atrás da casa tem buracos ocos que podem prejudicar a estrutura da localidade. 

Ele também diz que ganha R$ 600 de Bolsa Família e faz “bicos” de eletricista. Logo, faz o que pode com as próprias mãos. “Eu compro dois saquinhos de cimento, meio metro de areia e, é claro, ainda compro minhas coisinhas pra comer”. conta Isaías.

Foto: Josiane Santana

No mesmo terreno, outras casas estão prestes a desabar. Ao entrar em uma, só se vê entulhos que caem do teto que cede cada vez mais devido às infiltrações. A vizinha da residência de cima, Maria Aparecida, de 61 anos, diz que não lava mais o chão, só passa pano, para não piorar a situação . Ela também tem medo da casa literalmente cair. “Isso aqui está para cair. Três famílias correndo risco. E nós pagamos aluguel. A dona disse que acionou a Defesa Civil e que está esperando chegar aqui. Onde eu estou, tem rachaduras”.

Lixo e área de lazer são outros problemas

Outra reclamação de Maria Aparecida é a falta de uma área de lazer para as crianças e jovens, pois brincam embaixo de uma torre de elétrica, o que traz risco de vida. “As crianças brincam ali correndo esse risco. Brincam também ali embaixo. Agora a lama tá toda afetada, porque botaram animal e onde vão construir os prédios, acabaram com o parquinho. As crianças não tem lugar para brincar”, revela a dona de casa.

Questionada sobre projetos de  áreas de lazer e projetos de cultura para crianças e jovens, a Secretaria de Juventude e a de Ação Social ainda não retornaram às perguntas do Voz das Comunidades.

Além disso, Maria Aparecida afirma que os próprios moradores limpam a rua, pois não tem garis, nem da prefeitura, nem comunitários. O Voz das Comunidades entrou em contato com a Comlurb que informou que a limpeza das ruas é realizada por trabalhadores comunitários, com a coleta diária, de segunda a domingo. Mas não é o que se vê no local. O presidente da associação da Fazendinha, Paulinho, afirma que o projeto de garis comunitários está parado por causa da prefeitura.

Foto: Josiane Santana

 “O projeto está engessado, pra prefeitura ele tá falido. O que está segurando ainda o projeto é uma liminar do Ministério do Trabalho para manter ele ativo”. No entanto, segundo o presidente, a Secretaria de Ação Comunitária está com um novo projeto. 

A equipe de Impacto Social e união com moradores

O auxiliar de projetos da equipe de Impacto Social do Voz das Comunidades, João Victor, disse em reunião que autoridades afirmaram que a região não existe no mapa e, se não existe no mapa, não há como mexer no local. Mas em visita, essas autoridades viram que há sim habitantes. Para entender essa questão, o vereador Luciano Medeiros explica que isso acontece porque o Inferno Verde é um apelido, não uma comunidade e pertence à região das Palmeiras. 

Então, a equipe de Impacto Social resolveu arregaçar as mangas para tentar amenizar os problemas enfrentados pelos moradores. Eles pretendem fazer iniciativas no Inferno Verde e a primeira ação será a revitalização de uma escada, para melhorar a locomoção de cerca de 50 moradores. “A gente conheceu o Bigu, morador referência dali, junto com a Edileide, juntamos com várias comunidades e seus parceiros. Levantamos o dinheiro pra fazer essa escada. Vamos fazer um mutirão com os moradores para fazerem a escada, explica João. 

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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