Com estúdio próprio, Voz das Comunidades inicia amanhã a cobertura do Rock In Rio

O projeto está sendo desenvolvido pelo cenógrafo Pedro Almeida, voluntário da ONG

Com estúdio próprio, Voz das Comunidades inicia amanhã a cobertura do Rock In Rio

O Rock in Rio enxergou nas favelas o potencial de acrescentar ainda mais energia e versatilidade ao festival dando voz a esses personagens. Nesta edição, 22 atrações das comunidades cariocas estarão no Espaço Favela para representar um recorte real de toda sua capacidade cultural e criativa.

Mais de 30 atrações estarão no palco em apresentações de música, dança e manifestações culturais, como a batalha de Slam e a presença de Mc Martina. “Estamos preparando uma apresentação foda! Tô com uma letra nova. Não dá para falar muita coisa, só posso dizer que vou representar minha favela da melhor forma”. Cria do Morro do Adeus, a poeta se apresenta no dia 4 de outubro junto com a banda Canto Cego e sempre muito estilosa, está em busca de lojas parceiras para contribuir com o que vai vestir no show. “Ainda não caiu a ficha ainda de que eu vou subir no palco do Rock in Rio! Tô aqui buscando alguém pra me dar uma moral com uma roupa maneira”, confessa a MC.

O Voz das Comunidades participa da produção do festival e também está responsável pela cobertura do Rock in Rio. A equipe terá acesso a um contêiner que servirá de estúdio, onde os artistas do Palco Favela serão recebidos para entrevistas ao vivo. O projeto está sendo desenvolvido pelo cenógrafo Pedro Almeida, voluntário da ONG. Podcast, textos, vídeos e fotos também serão produzidos durante os dias de evento.

“Já fiz algumas coberturas mas, sem dúvida, essa é a que mais me deixa ansiosa. O Rock  In Rio é um dos maiores festivais de música do mundo. Será a primeira vez no festival, pois nunca tive grana para ir”, disse a estudante de jornalismo Mariana Assis, voluntária do Voz das Comunidades há cinco meses. A jovem de 20 anos conta que conheceu o Voz pelo Twitter, durante a cobertura do jornal durante as tentativas de pacificação de 2010.

“É um momento importante para termos a nossa voz ampliada. Acho que essas intervenção que o grupo Nós do Morro vai fazer no Palco Favela vai ser históricas! Vem como um grito de protesto, um grito de socorro vindo das favelas. O Palco é produzido pela favela, dirigido pela favela e sendo reproduzido pelos favelados. Nada mais significativo do que esse palco ter realmente pessoas falando sobre a gente, sabe? Se tem uma autenticidade muito grande, desde quando o Nós do Morro faz os ensaios dentro do Vidigal diante da violência que a comunidade passa, com tiroteios e coisas do tipo. Isso mostra que estamos sim, dentro da realidade e que não estamos estereotipando. É um grito, um manifesto, um socorro e sobre tudo o que está acontecendo dentro das favelas do Rio de janeiro. Vamos passar uma mensagem muito importante para a sociedade. Obviamente que vai da interpretação de cada um”, conta Rene Silva, fundador da ONG Voz das Comunidades.

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