Como soltar pipa em quarentena com segurança e garantir a diversão

Uma das brincadeiras mais conhecidas nas favelas do RJ pode ser uma boa opção para o momento do isolamento social
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Há mais de 40 dias, a maioria das pessoas tem vivido um momento inédito que é ter de ficar em casa para não serem contaminadas pelo coronavírus. Por isso, arrumar atividades para entreter tem sido a grande busca, principalmente para as crianças. Uma brincadeira muito antiga, bastante conhecida em favelas e céus cariocas, pode ser uma excelente opção não só para a garotada, mas também a adultos: soltar pipa.

As pipas existem há mais três mil anos e surgiram no oriente, certamente na China. No entanto, aqui no Brasil elas surgiram por meio de colonizadores portugueses em 1596. O nome PIPA é muito comum no Rio e se chama assim por parecer com a vasilha bojuda de madeira que serve para conter líquidos. Mas em vários estados elas têm nomes diferentes como arraia, piposa, pepeta, papagaio, etc.

O pipeiro Renato Alves, conhecido como Renatinho pipa rua3, da Rocinha, nos relata um pouco de sua experiência de 34 anos soltando pipa e como ele vê essa brincadeira em meio à pandemia. “Soltar pipa pra mim é como se fosse uma válvula de escape, é um momento de diversão, um lazer, uma terapia! Percebi que de alguns anos pra cá, por conta do avanço da tecnologia, as crianças estão mais voltadas para o celular e brincadeiras tecnológicas, e nas comunidades isso acontece também por conta da violência. Porém, nessa pandemia, eu senti como se estivesse voltado no tempo. Devido ao isolamento tenho visto muitas pipas no céu e isso me deixou muito feliz.”

Há vários lugares que vendem pipas. Entretanto, também é possível fazê-las em casa de forma simples, desde que tenham os seguintes materiais: tesoura, linha, cola, varetas, caneta e papel de seda. Como fazer: Para montar a armação é preciso deixar a vareta mais grossa no meio e enrolar a linha em formato de “X”. Depois de dar o nó, envolver a linha ao redor da vareta. Com a armação pronta, fazer a marcação no papel de seda e passar a cola antes de recortar os excessos do papel. Para a rabiola é só pegar as sobras de papel, cortar em tiras e amarrar em um pedaço de linha. No YouTube existe muitos vídeos ensinando a fazer pipas de várias maneiras.

A pipa mantém a sua popularidade entre crianças, e adultos, de todas as culturas. Contudo, é necessário prestar atenção na segurança. O pipeiro Renatinho nos alerta: “soltar pipa na beira de estradas o risco é maior, pois pode causar acidentes graves como atropelamentos e principalmente acidentes com os motoqueiros. Eu tenho moto e sei do risco. É importante ter antena aparador de linha, porque diminuiria significativamente o número desse tipo de acidente”.

O uso do Cerol (mistura de vidro moído e cola) e da linha chilena (linha feita industrialmente com um poder de corte 4 vezes maior que o cerol) também é perigoso, apesar de utilizadas para melhorar a permanência da pipa no ar e também para cortar a linha das outras pipas. Além disso, é importante o cuidado em soltar pipa próximo à rede elétrica, pois o cerol ou a linha chilena pode cortar a fiação e isso pode causar danos graves.

Portanto, para que não aconteça nada com ninguém, principalmente durante a quarentena, a brincadeira precisa de certa atenção, mas nada que possa impedir o prazer de sentir o vento no rosto e ver o céu todo enfeitado com pipas coloridas. É isso que faz essa atividade, sem gênero e idade, ser linda! Então, vejam se o vento está a favor, vá para um lugar seguro e brinque!

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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