Conheça a história do Eduardo, um jovem da periferia que conseguiu superar as estatísticas através da música

JucaMagalhaes

Por muito tempo eu acreditei que minha paixão pela música não tinha nada a ver com as influências da minha família. Não encontrava, aparentemente, ninguém de casa com aptidões para essa maravilhosa arte. Todavia, um dia desses conversava com Juca Magalhães, grande amigo, que me perguntou sobre o meio familiar que eu cresci e como tinha sido minha infância. De cara eu disse: minha infância foi atípica, meus pais tiveram um forró, mais conhecido como bailão, por muito tempo no bairro de São Pedro. Naquele lugar também tocavam outros gêneros musicais; em dias específicos, rolava baile funk e pagode.

O espaço ficava na casa dos meus pais, nós morávamos no segundo andar e no térreo tinha o salão grande com um palco e um bar, lá acontecia toda a festa. Várias vezes virei a noite ouvindo aquela música, tentando dançar sozinho. Então Juca me disse: “Como você acha que não teve influência da família rapaz? Sua casa era constantemente cheia de música.” Cheguei a conclusão que meu amigo estava certo. Minha vida na música devo aos meus pais, e também a muito Forró, Pagode e Funk aos quais fui continuamente exposto ao longo da infância. A questão pode não ter nada a ver com um estilo musical, mas sim a presença da música.

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Foi uma conversa que quebrou muitos paradigmas que eu havia construído inconscientemente. Ao longo dos anos buscava justificar as minhas dificuldades técnicas nessa falta de referências musicais que eu acreditava ter, como o fato de começar a estudar musica muito tarde, não ter contato com instrumentos em casa, não ter uma mãe com gosto para música clássica, não ter em um pai musico no qual pudesse me espelhar e muitas outras justificativas.

Meu nome é Eduardo Lucas, e felizmente eu não sou dado na estática da criminalidade. Tive a oportunidade de desenvolver minhas habilidades musicais, graças a um projeto social. Me mostraram que a vida, no lado do bem, é mais colorida e prazerosa. Hoje sou multiplicador, trabalho como professor e Regente da Banda sinfônica do Programa Vale Música, ciente do meu dever de mostrar a beleza de viver do lado certo.


Me chamo Leandro Mello, tenho 31 anos, casado, pai de família, nascido e criado no bairro Caratoíra (Vitória-Es). Sou apaixonado pela música e pela cultura, e também, idealizador do Projeto Vizinho da Arte!

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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